sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Lion - Uma Jornada para Casa


“Lion – Uma Jornada para Casa”- “Lion”, Estados Unidos, Austrália, Reino unido, 2016
Direção: Garth Davis

Sobrevoamos montanhas, desertos e praias. O mundo de paisagens diferentes em que vivemos. Estamos em 1986 e o contato entre lugares distantes é difícil. Ainda não havia a ideia de globalização que hoje vivemos com naturalidade, com nossos IPhones e computadores dotados de um poder de comunicação desconhecido nessa época.
Logo somos apresentados a dois meninos indianos. Guddu, o maior (Abhishek Bkarate) e o menor, Saroo, (Sunny Pawar, a melhor surpresa do elenco), que se divertem juntos. Moram com a mãe (Privanka Bose) e a irmãzinha ainda bebê, numa casa pobre, em uma aldeia minúscula na India rural. Mas há riqueza de afeto naquele lugar.
Desce a noite e a mãe e o filho maior saem para sua segunda jornada de trabalho numa pedreira. E Saroo, que deveria ficar em casa cuidando da irmã, implora tanto a Guddu que o leve junto com eles, que o irmão cede.
Mas não dura muito o fôlego do pequeno e Guddu tem que levar ele nas costas. Arrepende-se de ter concordado em trazer o irmãozinho e coloca-o para dormir num banco do depósito da estação de trem:
“- Não saia daqui até eu voltar”, diz para Saroo que, adormecido, mal ouve o que o irmão fala.
Quando acorda, horas depois, está assustado e sozinho. Vaga pelo lugar deserto chamando pelo irmão e acaba entrando num vagão de trem, onde adormece de novo.
No dia seguinte, o trem em movimento leva Saroo para o desconhecido.
O longo percurso levará o menino para o sul da India, Calcutá, uma cidade grande, densamente povoada e perigosa para aquele pequeno de 5 anos.
A India é um país de dimensões continentais, com mais de um bilhão de habitantes que falam diferentes línguas e seguem religiões diversas. Em Calcutá a maioria é hinduísta e fala o bengali. Saroo veio do norte onde se fala hindi e a religião é a muçulmana. Além de não entender o que falam, o menino não sabe o nome da mãe e usa uma palavra que ninguém conhece para dizer de onde veio. Ele vai passar por maus bocados.
O filme “Lion” baseia-se na biografia de Saroo Brierley, “A Long Way Home”. E tem dois capítulos: a vida de Saroo aos 5 anos e depois aos 20, na pele de Dev Patel.
A história real é extraordinária e, num lugar onde 80.000 crianças desaparecem por ano, Saroo vai ter a sorte de encontrar as pessoas certas que o adotam como filho na longínqua Tasmânia (Nicole Kidman, numa interpretação comovente e David Wenham).
Tudo parecia correr às mil maravilhas. Saroo conhece Lucy (Rooney Mara) e apesar da relação difícil com seu irmão adotivo, ele é a alegria da família australiana.
Porém, o núcleo afetivo primitivo de Saroo não o abandona. Reaparece em sonhos e visões, com um forte apelo para ele voltar para casa.
Essa jornada de volta vai ser mais difícil que a da vinda. E nós acompanhamos Saroo com o coração apertado.
“Lion” é um filme comovente, com ótimas interpretações e uma história inacreditável. É o primeiro longa de Garth Davis que consegue acertar em quase tudo, ajudado pela bela fotografia de Greig Fraser, que cria imagens poderosas, traduzindo estados de espírito que são difíceis de ser expressos em palavras.
Quem é sensível vai derramar lágrimas.

“Lion” foi indicado a melhor filme, melhor atriz coadjuvante  (Nicole Kidman), melhor fotografia, melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora no Oscar 2017.

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