sexta-feira, 13 de julho de 2018

Lida Baarova




“Lida Baarová”- Idem, Alemanha, 2016
Direção: Filip Renc

Aquela velha senhora que aceita dar entrevista a uma jornalista, aos 86 anos, ainda guarda gestos de Lida Baarová, que foi uma das mais famosas estrelas de cinema na antiga Tchecoslováquia, onde nasceu em 1914.
Inicia-se assim um longo “flashback” que mostra como comçou sua carreira, aos 17 anos, incentivada por sua mãe. Ela, que já fora atriz sem sucesso, acompanha a filha nas gravações e fica radiante quando as duas vão para Berlim em 1934 a convite dos estúdios UFA, o mais importante da época, bancado pelo governo de Hitler, o Fuhrer nazista, a quem todos deviam obediência.
A mocinha teve que trabalhar seu alemão com sotaque para ser convidada para o papel principal em “Barcarole” onde contracenaria com o galã alemão, seu ídolo, Gustav Frohilich (Gedeon Burkhard).
E claro, os dois vão viver um romance, apesar de Gustav ser casado. Lida muda-se para a casa dele e torna-se vizinha do Ministro da Propaganda Nazista, Joseph Goebbels.
E Lida Baarová vai ser a amante, por dois anos, daquele que mandava no cinema da Alemanha, inclusive.
O narcisismo exaltado parece ser o traço de personalidade que os une, além da atração pelo poder. Não há em nenhum dos dois uma avaliação das consequências de seus atos. Pensam apenas na própria satisfação de seus desejos.
Lida, totalmente alienada do que acontecia na Alemanha, ou talvez não querendo ver nada além de sua imagem no espelho, fechada em sua redoma de egoísmo, se envolve com o homem que a humanidade vai chamar de monstro.
Goebbels, pequeno e manco, era considerado um perigo para as mulheres. Possuia todas que queria. Seu poder era imenso. Era o ideólogo do nazismo.
Será o ponto final nas ambições de Lida, que é barrada em suas intenções envolvendo Goebbels pelo próprio Hitler.
Começa a derrocada de Lida Baarová, proibida de filmar na Alemanha. Ela ainda faz alguns filmes na Itália e Espanha, mas seus sonhos de grandeza não tinham mais a menor chance de acontecer.
O filme é bem cuidado e o elenco funciona bem. Mas seu principal mérito é alertar para o fato de que uma vida é consequência das escolhas que fazemos e da maneira que as vivemos.
Lida Baarová, que tinha sido convidada para trabalhar em Hollywood e recusara por seu amor a Goebbels, diria no fim de sua vida, com sua habitual presunção:
“- Eu poderia ter sido maior que Marlene Dietrich...”

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