segunda-feira, 7 de maio de 2018

Ciganos da Ciambra





“Ciganos da Ciambra”- “Ciambra”, Itália, Brasil. Alemanha, França, Suécia, Estados Unidos, 2017
Direção: Jonas Carpignano

Os ciganos são um povo antigo e mítico, espalhados pelo mundo, sem moradia fixa, em suas carroças e cavalos. Pelo menos era assim. O avô de Pio, um jovem cigano, aparece numa cena que inicia o filme, quando era um rapaz, com o seu cavalo, galopando nos campos abertos onde vivia na liberdade, sem patrão. Conta isso ao neto, que não conheceu esse tipo de vida mas que a tem, de alguma forma, na sua memória ancestral.
“- Agora, somos nós contra o mundo. Antes íamos pelas estradas, livres” é o que Pio ouve do avô que mantém uma dignidade visível, apesar das roupas rotas.
Na Comunidade de Gioia Tauro, em um gueto, A Ciambra, é o lugar onde vivem os ciganos romenos na Calábria, sul da Itália, onde dividem o território com os africanos imigrantes e os italianos.
Pio, de 14 anos, é o personagem central dessa história de uma realidade dura, sem tempo para aconchegos. Impera sobre ele a lei do sangue, da família Amato. Deve proteger os seus, custe o que custar.
A câmara segue o garoto, muitas vezes em “close”, em busca de oportunidades para roubar. Carros são os mais lucrativos. O dono paga para ele dizer onde deixou o que roubou. Pio vive assim, de rapinagens. É ele que tem que sustentar a família com o que consegue, já que o pai e o irmão mais velho estão presos.
Não há lugar nem tempo para a infância no lugar onde Pio vive. Aliás as próprias crianças não querem essa infância destituída. Querem crescer, virar gente, de cigarro na boca desde muito cedo, falando grosso como os grandes.
Pio vai conseguir pertencer à tribo dos mais velhos, subir na hierarquia, às custas de trair aquele que mais o apoiava e com quem podia contar. Mas Aviya (Koudous Seihon) é negro, imigrante de Burkina-Fasso. A lei do sangue exclue o estrangeiro, esse africano que não é bem recebido a não ser entre os seus. Os excluídos, por sua vez, também excluem.
Jonas Carpignano, o diretor, já havia tratado desses personagens imigrados da África em “Mediterranea” e feito um curta com o garoto Pio.  Dessa vez, usa novamente só atores não profissionais. Toda a família de Pio, os Amato.
Eles são espontâneos e transmitem não só a vivência da pobreza mas também uma alegria de viver que explode em risos, cantos e brincadeiras que amenizam um pouco o impacto desse mundo sem oportunidades, às margens do nosso.
Com produtores como Martin Scorsese e o brasileiro Rodrigo Teixeira, o filme fez bonito nos festivais por onde passou. Vale seguir a carreira de Jonas Carpignano.

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