quarta-feira, 7 de março de 2018

Pequena Grande Vida



“Pequena Grande Vida”- “Downsizing”, Estados Unidos, 2017
Direção: Alexander Payne

Como salvar a Terra da destruição? A superpopulação é um problema para os cientistas que procuram uma saída. Cada vez mais, nosso planeta pede que pensemos nisso. Ou será também a aniquilação da humanidade.
No filme “Pequena Grande Vida”, com roteiro do diretor Alexander Payne e seu colaborador John Taylor, é contada uma história original.
Num futuro próximo, na Noruega, cientistas conseguem uma solução que parece ser perfeita para o problema da destruição do planeta e dos homens que nele habitam: a miniaturização celular. Ou seja, um homem de tamanho normal, 1,80 m passaria a medir 12 centímetros. E toda uma comunidade viveria confortavelmente num espaço de 7 por 11 metros, diminuindo consideravelmente os danos ao meio ambiente.
Para demonstrar a eficiência da técnica, o próprio cientista norueguês que a inventou (o ator de “Um homem chamado Ove”) sua mulher e um grupo de voluntários, fundaram a colônia original nos “fjordes” e aparecem numa caixa, num congresso organizado pelo grupo que financia a ideia.
O público, surpreso e maravilhado, ouve com agrado que a miniaturização não tem contraindicação, apesar de ser irreversível e traz grandes vantagens, tanto financeiras, já que é tudo mais barato, quanto de uma vida de maior conforto para o cidadão comum.
Matt Damon é o terapeuta ocupacional Paul Safranik, casado com Audrey (Kristen Wiig), ambos quarentões, sem filhos. Numa reunião de ex-alunos são convidados por um colega, que aparece miniaturizado, para conhecer “Leisureland”, o paraíso dos pequenos, onde ele e a família vivem como sempre desejou.
No pavilhão que mostra como é a comunidade, onde tudo é mais barato e de boa qualidade, Laura Dern, dentro de uma banheira com espuma, mostra o conjunto de brilhantes que comprou naquela tarde por U$83,00.
As casas são luxuosas, com todo o conforto que os americanos de classe média invejam nos ricos, desde os lustres de cristal até as piscinas e as cozinhas super equipadas. Há campos de golfe com jardins manicurados, lagos para os barcos e jet-skis e a maior pista de ski na neve “indoor” do mundo (relativamente falando, é claro).
Paul e Audrey estão impressionados e decidem dar o passo.
O filme é tecnicamente perfeito. Nas cenas onde os pequenos convivem com os normais, como no avião ou no trem, as proporções são respeitadas nos mínimos detalhes e o processo de miniaturização mostrado convincentemente.
Mas Paul vai ter que enfrentar uma mudança total em sua vida. Ele não é como os outros que estão maravilhados com a vida rica e quase sem trabalho. Quando conhece seu vizinho, Dusan (Christoph Waltz) e seu irmão Joris (Udo Kier), os playboys do pedaço, que dão festas de arromba, além de viverem do contrabando, Paul também fica conhecendo uma dissidente vietnamita (Hong Chau), que se refugia numa parte escondida da comunidade rica. Ela vai reconciliar Paul com sua verdadeira natureza.
“Pequena Grande Vida” é um filme com ideias muito boas e bem realizadas, que sai do trilho banal das ficções científicas sem imaginação e propõe uma reflexão sobre nossos hábitos de consumo, o cuidado com o meio ambiente, a solidariedade entre os seres humanos e a importância do amor.

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