segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Três Anúncios para um Crime




“Três Anúncios para um Crime”- “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”, Estados Unidos, 2017
Direção: Martin McDonagh

Na neblina da manhã, vemos três cartazes semidestruídos ao longo de uma estrada deserta. Mais tarde, quando o sol aquece aquela mesma estrada, Mildred Hayes (Frances McDormand, extraordinária) olha aqueles cartazes e tem uma ideia. Seu rosto, vincado e triste, se ilumina, enquanto a voz da divina Renée Flemming canta uma melancólica canção irlandesa.
Mildred segue até a agência de publicidade na cidadezinha e aluga os três cartazes. À noite, um policial vê os cartazes ostentando duas perguntas e um lamento: “E aí xerife Willoughby? ”, “E ainda nenhuma prisão? ”, “Estuprada enquanto morria “.
A mãe de Angela Hayes quer que o assassino seja descoberto e preso. Já se passaram sete meses e nada aconteceu.
A atriz Frances McDormand (“Fargo”) faz uma mãe abrutalhada e teimosa com tanta convicção que espanta. A personagem pouco fala mas sabe agir. E transmite essa certeza da vingança com os tons da dúvida. Uma mulher contra tudo e todos. Porém, ela mesma está em conflito com a culpa que também sente por sua relação tempestuosa com a filha.
O elenco de apoio está muito bem. Desde o xerife Willoughby (Woody Harrelson), passando pelo policial Jason Dixon (Sam Rockwell), até o ex marido Charlie (John Hawkes). Todos expressam vivamente o quanto é rude e grosseiro o pessoal que habita aquele lugar. Brigas, palavrões que pontuam cada frase que é dita, tudo neles é intempestivo e cru.
Carregados com “a raiva que germina a raiva”, como diz uma personagem que não sabe o que diz, vão ter que passar por um inferno de retaliações, até conseguir, talvez, ter calma antes de agir, como aconselha outro personagem que sai de cena deixando cartas.
Com 7 indicações ao Oscar (melhor filme, atriz, dois atores coadjuvantes, roteiro original, edição e trilha sonora), o filme dirigido pelo britânico Martin McDonagh passa um retrato de um lugar distante, no coração dos Estados Unidos, onde a lei do mais forte impera. A violência é a solução dos problemas, o racismo está entranhado na alma dos brancos e a sexualidade se expressa com brutalidade.
Um retrato assustador e irônico, pontuado por um humor corrosivo. Um alarme para o mundo de hoje que descamba para a crueza.

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