sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Sully - O Herói do Rio Hudson

 
“Sully – O Herói do Rio Hudson”- “Sully”, Estados Unidos, 2016
Direção: Clint Eastwood

Quando o filme começa vemos na tela um piloto falando com a torre de controle. O avião sobrevoa a cidade de Nova York. Só que baixo demais. Todos gritam. O avião bate num prédio e explode. Horror. Tudo isso em cenas em meio aos créditos iniciais.
Ficamos atrapalhados. Mas não tanto quanto o piloto Chesley “Sully” Sullenberger (Tom Hanks, perfeito), que acorda de um pesadelo no quarto de hotel, onde espera a investigação oficial sobre o que aconteceu na manhã daquele 15 de janeiro de 2009 com o Airbus A320, que levava 155 pessoas, pilotado por ele, em direção a Charlotte.
A TV está ligada e, como todo mundo no país, ele vê de novo seu avião, que pousou no rio Hudson, com os passageiros ilesos sendo retirados por barcas da Guarda Costeira. Chamado por todos de herói, ele está preocupado. Parece que algo o atormenta.
Sai do quarto para correr pela pista que margeia o rio Hudson, na noite fria e, quando vai atravessar a rua, um taxi quase o atropela. A mente de Sully está em outro lugar. Refaz mentalmente, mil vezes, tudo que aconteceu entre a decolagem do aeroporto de La Guardia e a decisão que ele tomou de tentar uma arriscada manobra: pousar no rio.
A inesperada colisão com uma revoada de pássaros, causara estragos fatais nas turbinas do avião, logo depois da decolagem do La Guardia. Ele perde altura.
Há uma tensão que cresce na cabine de comando do voo 1549 e o comandante Sully pede ao co-piloto Jeff Shiles (Aaron Eckhart), 35 segundos para tomar uma decisão, depois da torre de controle dizer que haveria pistas disponíveis para a aterrissagem tanto em La Guardia quanto em Teterboro, em Nova Jersey.
Conduzindo aeronaves há mais de 30 anos, há em Sully uma experiência adquirida que ele vai usar nessa situação de trágica emergência. Seguirá sua intuição. Mas o que o atormenta agora? É a pergunta que o repórter da televisão faz:
“- Sabemos agora que a escolha foi errada. Novas informações mudam tudo. Sully Sulenberg, você é um herói ou uma fraude?”
Mas ele acorda. É um novo pesadelo.
Clint Eastwood, 86 anos, quatro Oscars, dirige com maestria esse filme e confessa que se interessou pelo “milagre” do rio Hudson desde o começo. Por isso leu atentamente o roteiro de Todd Komarnicki, baseado no livro escrito pelo próprio Sully, onde ele conta como foi difícil acreditar que tinha acertado em sua decisão, quando uma equipe começa uma investigação no dia seguinte, para avaliar se o piloto perdera o avião por negligência, sem obedecer à torre de controle que mandara voltar a La Guardia, ou pousar em Teterboro, pondo em risco a vida de 155 pessoas.
O ritmo do filme cria suspense e as cenas do pouso na água alternam-se com conversas angustiadas do piloto com sua mulher, repórteres cercando o hotel onde ele está e a casa da família.
É a dúvida, do homem que é chamado de herói, mas que se martiriza, que é o centro do filme. A verdade pode consagrá-lo ou colocá-lo no ostracismo.
“Sully” é um filme que nos sobressalta e faz pensar na imensa responsabilidade de qualquer pessoa que esteja numa situação de comando e que tenha que decidir o que fazer, sabendo que vidas serão salvas ou perdidas.
Ótimo filme.



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