quarta-feira, 4 de maio de 2016

Uma História de Loucura


“Uma História de Loucura”- “Une Histoire de Fou”, França, 2015
Direção: Robert Guédiguian

O genocídio do povo armênio em 1915, pelos turcos, quando do Império Otomano, durante a Primeira Guerra é uma história pouco conhecida.
O filme de Guédiguian, diretor francês de ascendência armênia, começa em 15 de março de 1921, em preto e branco, mostrando um jovem bem vestido, sentado em um banco de praça em Berlim. Ele vigia a porta de um prédio. Quando ela se abre, vemos sair um senhor que, ao passar pelo jovem, leva um tiro na nuca e cai morto.
Soghomon Tehlirian, armênio sobrevivente do genocídio, é quem mata Talat Paxá, ex-ministro turco, um dos responsáveis pela morte dos conterrâneos de Tehlirian.
Calcula-se que entre um milhão e um milhão e meio de pessoas foram arrancadas de suas casas e massacradas.
O jovem havia gritado depois de executar o ex-ministro:
“- Eu sou armênio! Ele é turco! Ele é um assassino!”
E, durante seu julgamento repete:
“- Eu matei um homem mas não sou um assassino!”
E o jovem armênio é inocentado pelo júri.
Os que sobreviveram ao massacre, não se esquecem de que um país lhes foi tirado e incutem nas novas gerações o ódio aos turcos, que não reconhecem até hoje o acontecido.
O filme conta a história de uma família de armênios em Marselha, nos anos 80. E foi inspirado em um fato real.
José Antonio Gurriaran, jornalista espanhol, ficou semi-paralisado por um atentado a bomba de autoria do Exército Armênio Secreto de Liberação, em Madrid, em 18981. Ele se interessou pela história do genocídio, um crime contra a humanidade. E tornou-se ativista da causa.
“Uma História de Loucura” mostra bem a avó da família em Marselha incutindo o ódio aos turcos em sua neta. O pai da família (Simon Abkarian) é menos propenso à ideia de vingança e não concorda com sua mulher (Ariane Ascande, mulher do diretor Guédiguian), que defende a posição de sua própria mãe, a avó doutrinadora, que canta canções que falam sobre o massacre e que os assassinos não serão perdoados.
Ora, o que acontece é que o filho dessa família, o jovem Aram, alia-se a um grupo que planeja um ataque à bomba ao embaixador turco em Paris.
Durante o atentado, um jovem ciclista distraído foi atingido e perde uma perna. Ele, que era estudante de medicina cai numa depressão e, revoltado, recusa a ajuda e o amor de sua noiva.
Mas a mãe de Aram (o iraniano estreante Syrus Shahidi) vai comover o jovem francês (Gregoire Leprince-Ringuet) que, pouco a pouco, se convence de encontrar o responsável por sua perna perdida.
Na verdade, o filme questiona um assunto atual: o terrorismo. Guédiguian, através do personagem do jovem Aram pergunta a uma certa altura: a quem interessa a morte de pessoas inocentes?
E a questão do massacre dos armênios se amplia para os dias de hoje, quando o mundo se horroriza com os atentados como os de Paris e Bruxelas.
É um filme político que sugere que repensemos todos sobre as consequências do ódio e da vingança.

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