sábado, 2 de abril de 2016

A Juventude


“A Juventude”- “Youth”, Itália, França, Reino Unido, Suíça, 2015
Direção: Paolo Sorrentino

Todo ano, pessoas ricas do mundo inteiro reúnem-se na Suíça, em hotéis-spa dedicados a tratamentos de rejuvenescimento.
É um desses templos de luxo, calma e busca de saúde que vamos compartilhar, por um tempo, com Michael Caine, um famoso maestro e compositor, Fred Ballinger, seu amigo da vida toda, Mick Bayle (Harvey Keitel), a filha dele e assistente, Lena Ballinger (Rachel Weiz) e o ator de Los Angeles, Jimmy Tree (Paul Dano).
Nem todos são velhos, há jovens também por lá, como Lena e Jimmy, mas há uma coisa em comum: não estão bem de espírito. Acreditam que cuidando intensamente do corpo, com todo tipo de massagens, saunas, banhos termais, checkups médicos e alimentação bem cuidada, vão se livrar de um peso, tanto físico como da alma.
Outros ainda, são movidos também por desejos de realizar um projeto importante.
Assim, o ator, que sempre é lembrado por um papel de robô, quer preparar-se para interpretar um personagem em seu próximo filme e por isso observa os hóspedes e procura detalhes no comportamento deles.
O cineasta Mick precisa acabar de escrever o roteiro de seu filme “O Último Dia da Vida” e para isso levou sua equipe de colaboradores para um “brainstorm” nas montanhas. Sua estrela fetiche, interpretada numa ponta bem aproveitada por Jane Fonda, selará o sucesso do filme, seu testamento cinematográfico, pensa ele.
Um monge budista, que vem há 20 anos para esse lugar, quer levitar no jardim.
Um ídolo do futebol, gordo e fora de forma, caminha apoiado numa bengala, está longe de seus dias de atleta mas ainda dá autógrafos para uma pequena multidão de admiradores. Qualquer semelhança com Maradona é mera coincidência?
E a bela Miss Universo ( a romena Madalena Diana Ghenea) desfila nua, para a surpresa e o encanto dos dois amigos envelhecidos, que só podem contemplá-la embevecidos, enquanto ela usufrui do prêmio do concurso, uma semana no palácio da Suíça. De quebra, ela responde à altura às ironias do ator americano. Belíssima e inteligente. É a juventude do título.
Porque os amigos envelhecidos nem sequer conseguem lembrar-se da própria juventude. Da infância menos ainda. Consolam-se passeando pelos caminhos em meio a campos floridos, montanhas nevadas e vaquinhas com sinos no pescoço. Se ao menos eles pudessem aproveitar o presente, o momento que vivem... Mas estão mais interessados em falar sobre suas próstatas e de uma bela atriz que ambos amaram no passado, Gilda Black.
O maestro sombra numa depressão raivosa toda vez que alude às suas “razões pessoais” para negar-se a dar um concerto com suas “Simple Songs” para a Rainha da Inglaterra.
As repreensões de sua filha, também deprimida porque foi abandonada pelo marido, não ajudam em nada, já que ela não quer ser consolada por ele, que foi um pai ausente. Quer a mãe, mas ela não está mais entre eles.
O filme de Paolo Sorrentino (“A Grande Beleza” ganhou o Oscar de melhor filme de 2014) é interessante pelo assunto escolhido, tem cenários belíssimos, atores estupendos, música de David Lang inspiradora mas é quase como uma colcha de retalhos preciosos. Falta algo?
Vem  no final, doce e arrebatador. E Michael Caine, 83 anos e dois Oscars de ator coadjuvante, encerra o filme com uma grande atuação e emociona todo mundo. 
E quem resiste a Sumi Jo?

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