domingo, 23 de dezembro de 2018

Bird Box




“Bird Box”- “Às Cegas”, Netflix, 2018
Direção: Susanne Bier

A sobrevivência é algo precioso para os seres vivos. Para nós, humanos, entretanto, existe uma saída trágica dessa vida através do suicídio. Que é sempre um enigma.
Pois “Bird Box” trabalha justamente o medo paralisante, o terror e o fim do terror através da morte, preferida à visão de algo extremamente perturbador. Esse algo provocaria o surto psicótico que leva ao suicídio.
O que é esse algo? O que ameaça e faz as pessoas se matarem? Não sabemos e não saber é um estado de sofrimento que vai se instalar ao longo do filme.
No começo, as irmãs Malorie (Sandra Bullock) e Jessica (Sarah Paulson) a pintora e a criadora de cavalos, não dão muita atenção ao que a TV está mostrando. Pessoas estão se matando na Rússia. Há uma epidemia de suicídios pelo mundo.
Mas Malorie tem uma consulta com a médica obstetra e Jessica larga tudo para acompanhá-la. Está preocupada com a apatia da irmã que não dá sinais de estar ligada em seu estado. Há algo de negação e de repúdio à gravidez não desejada e fruto de uma relação que não vingou.
A médica tenta alertá-la e até propõe o caminho da adoção, já que talvez Malorie não tenha nascido para ser mãe.
Já na saída do hospital as irmãs veem uma moça batendo a cabeça no vidro do corredor. Realizam rapidamente que a epidemia de suicídios tinha chegado. Nas ruas, carros batem, capotam, atropelam pessoas. Gente correndo sem rumo. Pânico.
Jessica, que está dirigindo o carro naquela rua cheia de gente enlouquecida, vê algo e põe o carro em situação de perigo. Malorie não consegue despertá-la de um estranho estado. Capotam mas sobrevivem. Quando Jessica olha Malorie com um olhar vazio e se deixa atropelar por um caminhão, é o nosso primeiro grande susto.
Malorie consegue ajuda e se refugia numa casa levada por um homem (Trevante Rhodes), não sem antes ver enlouquecer uma mulher que também vinha na sua direção. O marido dela (John Malkovich) assiste a tudo sem poder fazer nada.
O filme vai alternar dois cenários e dois tempos: a casa trancada e com as janelas vedadas, onde se refugiam algumas pessoas e o rio, onde, cinco anos depois, Malorie vai tentar sobreviver com duas crianças num barco a remo, com vendas nos olhos. Leva consigo uma caixa com pássaros porque eles sinalizam a presença do perigo ameaçador de que fogem. Este fato dá nome ao filme e também passa a ideia de confinamento a que os personagens estão condenados, já que não podem sair ao ar livre sem vendas e, assim mesmo, se arriscando à tentação de querer ver o que causa o perigo de morte.
Sandra Bullock, 54 anos, que já ganhou um Oscar de melhor atriz por “Um Sonho Possível” de 2009 e atuou em “Gravidade” de 2013, dirigida por Cuarón, está brilhante no papel de uma pessoa apática que passa a dar valor à vida e a sentir-se ligada, com todas as suas forças, ao objetivo de sobreviver com as duas crianças.
Susanne Bier, diretora dinamarquesa, 58 anos, levou o Oscar de melhor filme estrangeiro com “Em um Mundo Melhor” de 2010. Ela consegue passar o clima de suspense e terror na medida certa em seu filme. O roteiro de Eric Heisserer (“A Chegada”) é uma boa adaptação do livro de Josh Malerman, dizem os que leram o livro.
Agora, quem não gosta de ver sangue e assassinatos, nem de sentir ansiedade, melhor pular essa produção da Netflix. Uma pena porque vão perder um filme muito interessante. Aos outros, eu recomendo vivamente.


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