terça-feira, 9 de outubro de 2018

Juliet, Nua e Crua




“Juliet, Nua e Crua”- “Juliet Naked”, Estados Unidos, 2018
Direção: Jesse Peretz

Sabe aqueles filmes que começam e parece que não vão agradar? E quando a gente vê está envolvido com a história e os personagens? “Juliet, Nua e Crua” é uma dessas surpresas.
Aliás, “Juliet” não é nome de mulher, como poderíamos pensar. É o álbum “Juliet Naked”, gravado em 1993 por um roqueiro americano, Tucker Crowe (Ethan Hawke), que desapareceu, depois de terminar um romance com uma modelo de Los Angeles. Cancelou seus shows e sumiu. Desde então, lendas circulam a seu respeito. Como por exemplo, a que diz que ele vive isolado numa fazenda da Filadélfia, onde cria ovelhas. Ele é um mistério.
Mas em Sandcliff, Inglaterra, o desaparecido tem o seu maior fã, Duncan (Chris O’Dowd), que venera sua música e empapelou o porão da casa onde vive há 15 anos com a namorada Annie (Rose Byrne), com posters e fotos do seu ídolo. Ele é professor de cinema numa escola local e mantém um site que reúne os fãs ainda existentes de Tucker.
Annie dedica-se a cuidar do Museu Marítimo que seu falecido pai deixou para ela e a irmã Ros (Lily  Brasier).  E escuta pacientemente as lamúrias da irmã, sempre encrencada com suas namoradas casadas, enquanto prepara as peças para uma exposição.
Em “off” ouvimos ela contando essa história e percebemos o quanto ela se aborrece com esse homem com quem está há 15 anos e que só fala do roqueiro que idolatra. Ele não tem outro assunto.
Ainda por cima, Annie, que está com 30 anos, se ressente por Duncan não querer ouvir falar em filhos:
“- Nada de por crianças nesse mundo podre”, diz ele.
Mas a Natureza tem um chamado forte em mulheres dessa idade, como todos sabemos. E a verdade é que Annie não sente mais nenhuma atração pelo namorado.
Quando chega pelo correio um CD para Duncan, Annie abre a embalagem, meio distraída. E, como o vestido que ela comprou pela internet está grande demais, ela resolve ouvir o CD “Juliet Naked”.
Enquanto isso, Duncan está se engraçando pela nova professora da escola e vai parar na casa dela. E por isso chega tarde em casa. A tempo de ficar bravo porque Annie abriu a correspondência dele e teve a ousadia de ouvir o CD, antes dele. Furioso, vai ouvir o CD sozinho, com fones de ouvido.
E aí começa a encrenca. Duncan acha que o que tem no CD é uma obra prima. Annie acha que é uma versão chata de canções que já ouviram muitas vezes.
Para resumir, ela escreve um comentário negativo no site de Duncan sobre o CD e, num desses caprichos do destino, recebe uma resposta. Pasmem. Do próprio Tucker, que concorda com Annie.
Ethan Hawk, como Tucker, atrai Annie porque é carente, desorganizado como uma criança, irresponsável mas querendo mudar, sedutor e carinhoso. O oposto do namorado dela.
O filme, baseado no livro “Juliet Naked” de Nick Hornby, que foi adaptado pelo diretor e ex músico Jesse Peretz, com a ajuda de Tamara Jenkins e Jim Taylor, tem um roteiro bem escrito e a história tem momentos bem divertidos mas também notas mais melancólicas, em torno à questão do amadurecimento e da responsabilidades com os filhos.
Annie e Tucker vão se aproximar num primeiro momento por causa da implicância que ela tem pelo roqueiro, idolatrado pelo namorado sem graça. Mas as coisas vão evoluir e temos assim uma comédia romântica com sentimentos ternos e sem o jeito açucarado que enjoa.
Ótimo entretenimento.


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