sexta-feira, 21 de julho de 2017

De Canção em Canção




“De Canção em Canção”- “Song to Song”, Estados Unidos, 2017
Direção: Terrence Malick

“- Pensei que a gente podia continuar se virando de canção em canção, de beijo em beijo...”, diz uma das personagens.
Aqui, tudo é um longo “flashback” de três: Faye (Rooney Mara) que diz a frase que dá título ao filme, é uma novata que quer ser cantora e compositora, mas que trabalha como corretora de imóveis; dois homens, Ryan Gosling, o BV, é compositor, bom caráter, que está próximo do sucesso e Cook (Michael Fassbender), um milionário produtor musical, mau caráter, exibicionista, que gosta de fazer pessoas sofrer. Os dois são amigos e se envolvem com Faye.
Outros personagens vão aparecer como Rhonda (uma comovente Natalie Portman), moça simples que confundiu casamento com felicidade, Amanda (a bela Cate Blanchett), caso de BV e Zoey (Bérénice Marlohe), que tem um namoro breve com Faye. Todos eles marcados por uma tristeza existencial. Belos e infelizes.
Como o filme se passa em Austin,Texas, lugar de grandes festivais ao ar livre de músicas de todas as tendências, astros de verdade aparecem em pontas como Iggy Pop, Val Kilmer e Patti Smith, que faz uma participação importante, cantando e funcionando como uma espécie de conselheira de Faye sobre o amor. Ela está fascinante, passando uma verdade singela em suas falas, com uma autoridade indiscutível.
Belas imagens de Emmanuel Lubensky, o mago da fotografia. A câmara se aproxima e se distancia dos atores que não param de se movimentar. Há uma coreografia de corpos que falam de uma excitação, enquanto a narração é em “off”. Cada um deles vai sendo conhecido por essas falas, que são confissões íntimas.
De um jeito ou de outro, cada um dos personagens acaba sofrendo em consequência de seus atos.
Mas há também uma desilusão saudável em Faye e BV, que são os únicos que conseguem conviver, finalmente, com a realidade da pessoa que o outro é. Isso inclue parceiro e familiares. E, para chegar aí, há que sofrer com a perda do sonho infantil de uma vida para sempre feliz, sem obstáculos nem conflitos. E aceitar-se como são.
O retorno a uma vida simples, encarando a verdade e compartilhando os momentos bons que fazem esquecer os maus, parece ser a saída da busca existencial vivida por todos os personagens.
E as poças de água lá no alto das pedras do deserto é o lugar de purificação, de misericórdia e perdão. O casal se une e encontra a paz.
“- Não quero parar de amar você.”
Diretor e roteirista, Terrence Malick não faz apenas um  cinema estético. Ele ensina lições sobre a natureza humana. E, dessa vez, de uma maneira menos filosófica e mais realista.
Tenha paciência, junte as imagens como se fossem peças de um quebra-cabeças e aproveite essa viagem.



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