segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Estrelas Além do Tempo


“Estrelas Além do Tempo”- “Hidden Figures”, Estados Unidos, 2016
Direção: Theodore Melfi

Quando vemos aquela menininha negra demonstrando um complicado raciocínio matemático com clareza e autoridade, ficamos certos de que ela vai ser uma figura importante no futuro.
E assim será. O filme mostra que, em 1961, Katherine Johnson (Taraji P. Henson) vai trabalhar na NASA em Hampton, Virginia, como um computador. Naquele tempo, computadores eram pessoas superdotadas para cálculos necessários ao programa espacial americano, que estava atrasado em relação ao soviético, em plena Guerra Fria.
A cena de abertura mostra três mulheres negras com um problema mecânico no carro que as leva, juntas, todo dia para o trabalho. Chega um carro com um policial que se espanta ao saber que trabalham na NASA.
Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monaé) são as companheiras brilhantes de Katherine, que conseguiram um trabalho importante por seus próprios méritos.
Mas logo vamos nos dar conta de que a vida para qualquer negro, especialmente na conservadora Virginia, não era nada fácil naquela época em que havia uma política de segregação entre brancos e negros. Assim, nos ônibus públicos deveriam sentar-se nos lugares do fundo, havia escolas só para brancos, bebedouros e banheiros públicos separados.
A história de Katherine é a melhor contada no filme. Viúva, com três filhas pequenas e trabalhando até tarde, já que tinha sido recrutada para um trabalho especial de cálculos sobre o lançamento, trajetória e retorno do foguete Atlas, que poria um primeiro americano em órbita, tinha uma vida difícil. Era a única mulher na sala de Al Harrison (Kevin Costner), chefe do programa.
Pobre Katherine. O racismo fazia com que tivesse que correr mais de 500 metros para poder ir ao banheiro. E Harrison se irrita com suas ausências, sem perceber que não havia banheiros para negros no prédio onde trabalhavam.
Mais tarde, ele vai se dar conta disso e mudar muita coisa no que dizia respeito à segregação na NASA.
Dorothy também sofria pelo fato de não ser reconhecida como chefe de departamento, onde trabalhava coordenando várias moças negras. Sua chefe (Kirsten Dunst) a tratava com frieza e menosprezo.
Mary vai ter que entrar na justiça para poder estudar à noite numa escola para homens brancos e tornar-se a primeira engenheira mulher e negra da NASA.
Essas três mulheres inteligentes, brilhantes e lutadoras vão sobressair-se e fazer um trabalho importante, que só foi reconhecido há muito pouco tempo.
O diretor Theodore Melfi adaptou o livro do mesmo nome do filme em inglês: “Hidden Figures” de Margot Lee Shetterly.
É um filme bem cuidado, com boa reprodução da época, tanto nos cenários como nos figurinos e conta a história da conquista do espaço de maneira tradicional, usando do talento do elenco, todos muito bem em seus personagens.
O racismo e a misoginia não são apenas americanos. Sabemos bem como existem de variadas formas em quase todos os países. Mas o impacto dessa história das três mulheres negras, tão importantes na corrida espacial americana, ainda que com tardio reconhecimento, é bem contada nesse filme e incentiva a refletirmos na injustiça e falta de bom senso que levam a esse tipo de comportamento.


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