sábado, 23 de julho de 2016

A Comunidade


“A Comunidade”- “Kollektivet”, Dinamarca, Suécia, Holanda, 2015
Direção: Thomas Vinterberg

Um professor de arquitetura (Ulrich Thomsen), Erik, herda do pai um casarão perto do mar, em Copenhague. Ele pensa em vender o imóvel, dado o alto custo de manutenção. Mas sua filha adolescente Freja (Martha Sofie Wallstrom Hansen) adorou a casa e sua mulher, a apresentadora de televisão, Anna (Trine Dyrholm, fantástica), convence o marido a convidar pessoas interessantes para viver com eles em comunidade e assim dividir as despesas.
Ela não esconde uma certa monotonia na vida do casal e pensa que o convívio com novas ideias iria oxigenar o ambiente familiar.
Dito e feito. E os convidados começam a chegar. Cada um tem um motivo para querer mudar para a casa aprazível.
Estamos nos anos 70 e há uma atmosfera “hippie” no ar, “faça o amor não a guerra” e um gosto por roupas diferentes das tradicionais. Todo mundo quer ser jovem e feliz.
No começo, a convivência na comunidade é alegre e festiva. Canta-se muito, há banhos em pelo no mar gelado, muita bebida, comida e cigarros.
O primeiro sinal de que algo não vai bem ou que a vida é cheia de surpresas mesmo, atinge o habitante mais jovem da casa, um menino de 6 anos, que tem um problema cardíaco e desfalece em plena noite de Natal.
Todos sabiam dessa doença da criança mas, o próprio pai brincava dizendo que ele contava essa coisa de que não ia viver muito para atrair e interessar as meninas.
Havia algo de errado naquelas pessoas da comunidade. Uma alegria forçada que não combinava com a realidade.
O roteiro escrito pelo diretor e por Tobias Lindholm (os mesmos de “A Caça”, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro), inspira-se nas experiências do próprio Thomas Vinterberg, que cresceu numa comunidade “hippie”.
Talvez, por isso, a personagem da menina adolescente pode ser um alter-ego do diretor e personifique mesmo a peça fundamental de toda a história, já que ela descobre o amor justamente quando vê o casamento de seus pais desmoronar. Ela observa os adultos e começa a vida amorosa com medo de sofrer.
Os atores principais, excelentes, protagonizaram o filme mais famoso de Thomas Vinterberg, do movimento Dogma, “Festa em Família” de 1998 e são o principal foco do filme.
Anna, que era a que mais queria viver a ideia de comunidade, é a que é mais prejudicada, já que o marido não embarca como ela nessa aventura. De repente, sua vida foge do seu controle e ela tem que enfrentar o fato do passar dos anos.
“A Comunidade” passa uma reflexão de que a vida não é o que se sonha e que quanto maior for a idealização, maior o sofrimento e a decepção.

Um filme menor de Thomas Vinterberg mas digno de nossa atenção.

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