domingo, 23 de abril de 2017

Vida



“Vida”- “Life”, Estados Unidos, 2017
Direção: Daniel Espinosa

Vemos a imagem do espaço infinito transmitindo uma sensação de paz. Estrelas na noite.
Estamos na Estação Espacial Internacional num futuro não muito distante. De repente uma agitação entre os tripulantes. A cápsula ”Pilgrim”, que vem de Marte, foi desviada de seu trajeto e é necessário que o engenheiro espacial australiano Rory Adams (Ryan Reynolds) se prepare para sair da nave. E ele tem êxito na missão. Consegue trazer para dentro da estação a cápsula que precisa ser examinada antes que atinja a Terra.
Mal sabe ele que esse foi o primeiro passo no que poderá ser a extinção da humanidade.
Mas ninguém pensa em perigo. Estão todos extasiados olhando o microbiologista britânico Hugh Derry (Aryon Bakare) explorar as amostras de solo de Marte, onde ele acaba de descobrir um organismo unicelular microscópico.
Assim, a inglesa dra Miranda North (Rebecca Gerguson), especialista em contaminação, o perito em comunicações, o japonês Sho Murakami (Hiroyuki Sanada), a comandante russa Ekaterina Golovkina (Olga Dihovichnaya) e o médico militar David Jordan (Jake Gyllenhaal) revezam-se na janela que permite ver os cuidados com que o dr Derry cerca o primeiro achado de vida extraterrestre.
Aqui na Terra, uma multidão lota o “Times Square” em Nova York para ver uma menina anunciar o nome escolhido para o ser que mais parece um plantinha da horta: Calvin.
Enquanto isso, o médico militar (Gyllenhaal), que já está na estação há mais de 400 dias, um recorde, é examinado pela médica que constata aumento de radiação em seu organismo. Ele, que participou de um episódio traumático na guerra da Síria, diz com palavrões que nem em sonhos voltaria para a Terra. Odeia seus 8 bilhões de habitantes. É um misantropo.
Mas pouca coisa ficamos sabendo sobre o resto da tripulação.
O diretor sueco, filho de pais chilenos, Daniel Espinosa acertou no clima claustrofóbico criado pelo desenho da estação e logo mostra a que veio.
Calvin foge do laboratório e, qual flor carnívora, ataca o cientista e mata o engenheiro espacial que vem ajudar, sua primeira vítima.
Está dada a ordem do jogo de gato e rato. Que vença o mais forte. A sobrevivência da vida baseia-se nesse instinto de conservação que é muito forte em Calvin. Ele é indestrutível, como vão ver os tripulantes da estação apavorados.
“Vida” tem seu núcleo clonado do filme “Alien- O oitavo passageiro” de 1999, dirigido por Ridley Scott. Mas não chega aos pés do enredo que ninguém que viu o filme esquece e que gerou vários filmes-sequência. Outro será lançado em breve, “Alien – Covenant”, dirigido pelo próprio Ridley Scott e estrelado por Michael Fassbender.

Mas “Vida” tem um final surpreendente, que vale o filme. Bom entretenimento.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Paterson


“Paterson”- Idem, Estados Unidos, 2016
Direção: Jim Jarmusch

O cotidiano pode ser prazeroso e belo. E quando se vive um grande amor, tudo gira em torno desse sentimento. O tempo passa rápido, voando para o encontro.
Adam Driver, com o tom certo, vive o poeta Paterson, que escreve com a naturalidade com que pensa o mundo.  Na tela, lemos seus poemas em inglês, porque como diz um personagem do filme, um poeta japonês, o ator Masatochi Nagase, ler um poema traduzido “é como tomar banho com capa de chuva.”
Paterson ama Laura, a deslumbrante iraniana Golshifteh Farahani, falante e sonhadora, que também ama Paterson. Acordam abraçados todos os dias da semana em que os vemos acordar, menos um.
Na cidade de Paterson, Nova Jersey, viveu o poeta americano William Carlos Williams (1883-1963), admirado por Paterson, que não se crê poeta mas escreve seus versos sem rima num caderno. Laura insiste para que ele faça uma cópia, porque nunca se sabe o que vai acontecer. Ele promete que vai fazer. Porque concorda com tudo que ela diz e faz. Seu amor é generoso, aconchegante e irrestrito.
Esse casal convive com um terceiro personagem, Marvin, um buldogue inglês que não gosta de Paterson porque tem ciúmes de Laura. Paterson sai com Marvin todas as noites, amavelmente obediente a Laura. E no bar toma uma cerveja enquanto o cão espera do lado de fora.
Paterson não tem celular porque não quer tecnologia em sua vida mas Laura tem telefone, Ipad e computador e entende o jeito dele de ser. Ela faz “cupcakes” e pinta tudo de preto e branco, especialmente com bolinhas, como Yayoi Kusama, a famosa e excêntrica artista japonesa. E sonha em ser cantora de música “country”. E ele gosta de tudo nela. Até do jeito infantil com que fala com Marvin, que só não rosna para ela.
“Paterson é uma homenagem à poesia dos detalhes, das variações e das mudanças cotidianas. É um antídoto ao alarde dos filmes dramáticos e de ação” disse em Cannes o diretor e roteirista Jim Jarmusch, que dedica seu filme à memória de Nellie, a buldogue que faz Marvin e que ganhou a Palma de Ouro canina e morreu logo depois do filme.

“Paterson” é um tempo de doçura e tranquilidade no cinema. Coisa rara.

sábado, 15 de abril de 2017

Fragmentado



“Fragmentado”- “Split”, Estados Unidos, 2017
Direção: M. Night Shyamalan

Antes mesmo dos créditos, já somos jogados no clima do filme. Três garotas, dentro do carro do pai de uma delas, são surpreendidas com a entrada de um estranho, que as ameaça usando uma máscara contra gazes. Põe todas para dormir, sem dizer uma única palavra.
Entram os créditos, entremeados com cenas rápidas do sequestrador levando as meninas para o cativeiro.
A partir daí, a atmosfera pesada de suspense e medo do que virá se instala entre as sequestradas e a plateia. O que vai acontecer? O que quer aquele estranho com ar severo?
James McAvoy arrasa com uma interpretação soberba, demonstrando, sem exageros, seu talento camaleônico em personificar um homem com transtorno dissociativo de personalidade. Ele tem nada mais nada menos que 23 identidades, diferentes em tudo. A original, Kevin, sofreu na infância nas mãos de uma mãe tanto louca como cruel. As outras identidades teriam surgido para ajudar Kevin a suportar os traumas sofridos.
Numa procura de recriar uma realidade nova para escapar do sofrimento, Kevin caminha em direção a uma perigosa perda de contato com a realidade do mundo onde vive. Embrenha-se em explicações esotéricas e alucinações sobre um mundo espiritual, para perpetrar crimes nos quais a sexualidade é exercida com perversidade.
Dentre as sequestradas, a que melhor compreende o que  acontece é a que passou por maus bocados na vida. Tal qual o sequestrador, foi abusada na infância e percebe os sinais de loucura no homem que as tem submissas. Anya Taylor-Joy, de “A Bruxa”, se destaca, bem como a pequena Izzie Coffey que é ela quando criança mas as novatas Haley Lu Richard e Jessica Sula também se saem bem e vivem com convicção seus papéis.
O diretor e roteirista nascido na Índia e criado nos Estados Unidos, na Pensilvânia, M. Night Shyamalan, 46 anos, com seu talento para contar histórias fora do comum, foge de mostrar a violência crua e apega-se ao detalhe, ao “close” do rosto dos atores, à sugestão do que pode estar acontecendo, o que assusta ainda mais e é eficiente porque conta com a ajuda da imaginação do espectador.
Shyamalan, do inesquecível “Sexto Sentido” de 1999, conta que pensou nesse filme “Fragmentado – Split” quando sua mulher estudava psicologia e ele descobriu a possibilidade das múltiplas personalidades. Criou a psiquiatra dra Karen Fletcher (Betty Buckley) para ilustrar melhor o que seria esse transtorno psíquico.
Mas o filme tem explicações mais sobrenaturais do que psicológicas para o vilão. Porque “Fragmentado” não é uma história real que o diretor quer contar. É pura ficção. É uma fábula, um conto fantástico, uma alusão ao mito do super-homem.
E parece que ele já está filmando a sequência para completar a trilogia que começou com “Corpo Fechado” (2000). Quem for ver “Fragmentado” note Bruce Willis, o “Mr Glass”, na última cena, já preparando o que virá e que aguardamos com impaciência.



quinta-feira, 13 de abril de 2017

O Filho de Joseph



“O Filho de Joseph”- Le Fils de Joseph”, França, Bélgica, 2016
Direção: Eugène Green

“Mater certa pater semper incertus”, reza o direito romano, ou seja, a mãe sempre se sabe quem é. Já o pai... É claro que nem sonhavam com fertilização in vitro, barriga de aluguel e exames de DNA.
Mas “O Filho de Joseph” trata da questão da paternidade de outro ponto de vista, com uma história exemplar focada nas emoções da relação simbólica pai e filho.
Elegante, o filme usa de passagens da Bíblia pintadas por grandes pintores. Os quadros célebres ilustram capítulos do filme: “O Sacrifício de Isaac”, “O Bezerro de Ouro”, “O Marceneiro”, “A Fuga para o Egito”.
Estamos em Paris e um adolescente solitário de 16 anos, Vincent (Victor Ezenfis) mora com sua mãe amorosa, a enfermeira Maria (Natacha Régnier). Ele faz de tudo para descobrir quem é seu pai, já que a mãe guarda esse segredo a sete chaves.
Mas o que não descobre um garoto inteligente, obcecado por essa questão?
E a descoberta é uma decepção que motiva um desejo de vingança. Porque o pai de Vincent é Oscar Pormenor  (Mathieu Amalric), um editor de sucesso mas mau caráter e egoísta que não dá a mínima para a família ou filhos.
Ora, Vincent dorme num quarto azul real, onde está pendurado na parede à sua frente, uma réplica do quadro de Caravaggio, “O Sacrifício de Isaac”, passagem conhecida do Velho Testamento, quando Deus ordena a Abraão que mate Isaac, seu único filho, concebido na velhice e é interrompido no último momento por um anjo que segura sua mão com a faca.
Há algo naquele quadro que Vincent não consegue entender e que inspira sua vingança. Não seria o filho que deveria matar o pai negligente?
O garoto passa horas de sua vida olhando aquela cena e só vai poder comprendê-la quando encontra Joseph (Fabrizio Rongione), irmão de Oscar, o pai biológico de Vincent, deserdado pelo pai de ambos e que usa o nome da mãe. O menino não tem ideia de que ele é seu tio.
O espectador pode estranhar um certo ar teatral assumido pelos atores, que recitam seus diálogos e muitas vezes olham diretamente para a câmara. Mas esse é o estilo do diretor e roteirista Eugène Green, americano nascido em Nova York, que vive há 50 anos na França e admira a força do teatro clássico.
E há toques de humor que ficam a cargo da personagem de Maria de Medeiros, que faz uma crítica literária insinuante.
Numa visita ao Louvre, olhando o quadro de Georges de La Tour que representa o marceneiro Joseph sendo observado amorosamente pelo menino Jesus, o Joseph de Vincent diz:
“- Foi o filho que fez dele um pai.”
Co-produzido pelos irmãos Dardenne, um selo de qualidade, “O Filho de Joseph”  é um filme comovente, interessante e original. Merece ser visto. Abranda o coração.



quarta-feira, 29 de março de 2017

A Bela e a Fera


“A Bela e a Fera”-  “The Beauty and the Beast”- Estados Unidos, 2016
Direção: Bill Condon

Que alegria rever “A Bela e a Fera” depois do livro, do musical da Broadway, do desenho animado de 1991, todos com o tema sempre presente no imaginário popular. Desde criança conhecemos essa história e não nos cansamos dela.
O filme da Disney é tanto um presente para as meninas que só viram o desenho quanto para as mulheres maduras que já viram tudo. Porque o conto é universal. Ensina que o amor vê com os olhos do coração.
E o visual do filme é caprichado. Bill Condon, roteirista de “Chicago” de 2002 e diretor de “Dreamgirls” de 2006, entendeu que a história com o tema da beleza e da esquisitice, tinha que ter um visual que prendesse a atenção. Ou seja, tanto Aghata, a fada disfarçada de velhinha que vai amaldiçoar o príncipe por não ser compassivo, quanto a rosa que vai fenecer e trazer medo e castigo, quanto a Bela, diferente das outras moças da aldeia e a Fera que amará a Bela, tem que ter um “look” de chamar a atenção. E acertou. O filme enche nossos olhos.
O castelo amaldiçoado, as pessoas que viraram coisas que cantam, dançam e se lembram dos velhos tempos, são o ponto alto. A Sra Bule e seu filho, xícara travessa, o relógio, o candelabro Sr Lumière, a soprano cômoda e o piano maestro são verdadeiros achados na composição do vestuário e da coreografia.
Emma Watson, como a Bela, tem o poder de transformá-la numa garota menos fútil, mais normal e, ao mesmo tempo, mais sofisticada do que as outras Belas que conhecemos. Ela convence como a mocinha que tem empatia pelo sofrimento de outras pessoas e que não se deixa seduzir só pelos belos olhos e a adulação de um homem. Ela gosta de ler. E quer encontrar alguém que a compreenda. E que seja tão esquisito quanto ela é aos olhos do pessoal careta da aldeia.
Por falar nisso, o amigo do narcísico Gaston, M. Le Fou, pode se dar ao luxo de ser um tanto “gay”. Esse é o  diferencial da história contada aqui. Cada um como Deus o fez.
E as canções que conhecemos, criadas por Alan Menken e Howard Ashman, como as novas que foram criadas para o filme, fazem parte importante do espetáculo. Tem até um momento “Noviça Rebelde”, com a Bela no alto da colina.
Vá ver “A Bela e a Fera” e se encantar, como a menina sentada na minha frente no cinema que exclamou “Maravilhoso!”, quando o filme acabou. Tive vontade de fazer coro com ela! 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Personal Shopper



“Personal Shopper”- Idem, França, 2016
Direção: Olivier Assayas

Espíritos? Fantasmas? Coisas proibidas?
Desde que o mundo é mundo, o homem tentou entender se existe vida após a morte. Todas as religiões tratam desse assunto. E sabemos que existem tabus.
Por isso não é de se estranhar que Maureen (Kristen Stewart, ótima atriz), garota americana que vive na Europa, se interesse por esses assuntos. Quanto mais que ela teve um irmão gêmeo, Lewis, que morreu recentemente de uma deficiência congênita no coração, que ela partilha. Os dois fizeram um pacto. O primeiro que morresse, daria um sinal ao outro de vida após a morte.
Ambos acreditavam que eram médiuns, se bem que Maureen sempre achasse que Lewis era melhor que ela para fazer esse tipo de contato.
É nesse clima estranho que tudo vai se passar. Mas não se trata de um filme de terror. Longe disso. É bem mais sofisticado. É sobre o medo e o desejo que as coisas proibidas acendem em nós.
Maureen é uma “personal shopper” ou seja, compra coisas luxuosas e caríssimas para uma “top model” que não tem tempo para se ocupar com isso. Kyra (Nora von Waldstatten), viaja o tempo todo atrás dos desfiles de moda e das celebridades, que é o mundo ao qual pertence.
Maureen anda de “scooter” em Paris levando joias suntuosas da Cartier para Kyra escolher. Ou viaja até Londres para trazer o vestido que a outra vai adorar e aparecer com ele em todas as revistas que cobrem o mundo “fashion”.
Kristen Stewart é a garota descolada, que sabe o que escolher entre as coisas mais caras que estão à venda. Não é pelo preço que ela compra. Porque não tem que se preocupar com isso. É Kyra que paga e, ao mesmo tempo, exige que ela não experimente nada. E aí está o sinal de “proibido” que acende o desejo.
Mas Maureen não admite esse porém. Compra mas não experimenta. Pensa que está acima dessas futilidades. Até que acontece. Ela se olha no espelho e se vê como Kyra.
Quem a incentivou a fazer isso, transgredir, foi alguém que a persegue no “whatsapp” e ela não sabe quem é. Nem mesmo se é morto ou vivo. Porque ela transita entre esses dois mundos ou pensa que sim.
Há nesse filme de Olivier Assayas (prêmio de melhor direção em Cannes no ano passado) uma alusão ao nosso mundo contemporâneo que inventa objetos do desejo para o nosso consumismo, que é uma fuga do medo de nos pensarmos frágeis e mortais. Quem não tem acesso a esse mundo de coisas, contenta-se em explicar que é daí que vem a angústia. De não ser diferente. De não ser alguém.
E os fantasmas? Ectoplasmas? Ruídos em casas mal assombradas? Tudo isso está dentro de nós, mortais amedrontados que somos.
Como sair dessa? Cada um que procure e ache sua resposta, parece dizer o responsável por “personal shopper”, Olivier Assayas.
É um filme intrigante e envolvente.












domingo, 19 de março de 2017

Souvenir



“Souvenir”- Idem, Bélgica, França, 2015
Direção: Bavo Defurne

Isabelle Huppert é uma atriz tão divina que só mesmo ela pode fazer de maneira tão comovente, e nada piegas, o papel de Laura, uma cantora que conheceu a fama mas caiu no esquecimento.
A pobre tem uma vida de rotina repetitiva e monótona, sem nenhum brilho nem criatividade. Trabalha numa fábrica de patês e se encarrega, com outras mulheres, da decoração final com folhas e frutinhas, antes da embalagem do produto. Um trabalho maquinal que deve levar à loucura.
Em casa, quando chega, senta-se na frente da TV para ver os mesmos programas e beber o mesmo uísque, enquanto fuma e olha a telinha sem ver.
Até que um dia, Jean Leloup (Kevin Azais) chega e muda tudo. Lilianne (Laura era o nome artístico) é reconhecida.
O pai dele era fã de Laura e até hoje a mãe de Jean tem ciúmes quando o marido se lembra dela.
Jean tem apenas 22 anos, é boxeador, vive com papai e mamãe e se apaixona loucamente por Lilianne. Ela está há tanto tempo adormecida, que só mesmo ele, com uma perseverança paciente e fogosa, consegue despertá-la para a vida.
“Souvenir” é um conto de fadas para adultos. O mito da fênix, que renasce das cinzas depois que todos a acreditavam morta, é antigo e eterno. E aqui, é representado com graça por Isabelle Huppert.
Ela é uma diva que pode se permitir todas as artes, Canta afinada, aproveitando-se de um gestual teatral personalíssimo e coquete.
Seu corpo magro e flexível, com um vestido de paetês dourado, à luz dos refletores, leva a plateia ao delírio.
Das bolhas do remédio efervescente para a ressaca matinal, às bolhas da champanhe dos vencedores, assim caminha Laura nos braços de Jean, deixando a plateia seduzida e cantarolando com ela o refrão da canção “Jolie Garçon”(“Garoto Bonito”): “Je dis oui!”
Sim! Ela diz sim aos seus braços fortes e a seu coração doce.
Sorte do diretor belga Bavo Defurne para quem Isabelle Huppert também disse sim.
E o nosso sim, mil vezes sim, para a atriz talentosa e famosa que não se importa em aparecer num filme pequeno, de baixo orçamento, sem pretensão e que faz tudo brilhar com a sua presença solar.