Direção: M. Night Shyamalan
Antes mesmo dos créditos, já
somos jogados no clima do filme. Três garotas, dentro do carro do pai de uma
delas, são surpreendidas com a entrada de um estranho, que as ameaça usando uma
máscara contra gazes. Põe todas para dormir, sem dizer uma única palavra.
Entram os créditos,
entremeados com cenas rápidas do sequestrador levando as meninas para o
cativeiro.
A partir daí, a atmosfera
pesada de suspense e medo do que virá se instala entre as sequestradas e a
plateia. O que vai acontecer? O que quer aquele estranho com ar severo?
James McAvoy arrasa com uma
interpretação soberba, demonstrando, sem exageros, seu talento camaleônico em
personificar um homem com transtorno dissociativo de personalidade. Ele tem
nada mais nada menos que 23 identidades, diferentes em tudo. A original, Kevin,
sofreu na infância nas mãos de uma mãe tanto louca como cruel. As outras
identidades teriam surgido para ajudar Kevin a suportar os traumas sofridos.
Numa procura de recriar uma
realidade nova para escapar do sofrimento, Kevin caminha em direção a uma
perigosa perda de contato com a realidade do mundo onde vive. Embrenha-se em
explicações esotéricas e alucinações sobre um mundo espiritual, para perpetrar
crimes nos quais a sexualidade é exercida com perversidade.
Dentre as sequestradas, a que
melhor compreende o que acontece é a que passou por maus bocados na vida.
Tal qual o sequestrador, foi abusada na infância e percebe os sinais de loucura
no homem que as tem submissas. Anya Taylor-Joy, de “A Bruxa”, se destaca, bem
como a pequena Izzie Coffey que é ela quando criança mas as novatas Haley Lu
Richard e Jessica Sula também se saem bem e vivem com convicção seus papéis.
O diretor e roteirista
nascido na Índia e criado nos Estados Unidos, na Pensilvânia, M. Night
Shyamalan, 46 anos, com seu talento para contar histórias fora do comum, foge
de mostrar a violência crua e apega-se ao detalhe, ao “close” do rosto dos
atores, à sugestão do que pode estar acontecendo, o que assusta ainda mais e é
eficiente porque conta com a ajuda da imaginação do espectador.
Shyamalan, do inesquecível
“Sexto Sentido” de 1999, conta que pensou nesse filme “Fragmentado – Split”
quando sua mulher estudava psicologia e ele descobriu a possibilidade das
múltiplas personalidades. Criou a psiquiatra dra Karen Fletcher (Betty Buckley)
para ilustrar melhor o que seria esse transtorno psíquico.
Mas o filme tem explicações
mais sobrenaturais do que psicológicas para o vilão. Porque “Fragmentado” não é
uma história real que o diretor quer contar. É pura ficção. É uma fábula, um
conto fantástico, uma alusão ao mito do super-homem.
E parece que ele já está
filmando a sequência para completar a trilogia que começou com “Corpo Fechado”
(2000). Quem for ver “Fragmentado” note Bruce Willis, o “Mr Glass”, na última
cena, já preparando o que virá e que aguardamos com impaciência.
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