terça-feira, 25 de junho de 2019

Cézanne e Eu



“Cézanne e Eu”- “Cézanne et Moi”, França, 2019
Direção: Danièle Thompson

Este é um filme sobre dois grandes homens nascidos quase no mesmo ano do século XIX. Paul Cézanne (Guillaume Gallienne) em 1839 e Émile Zola (Guillaume Canet) em 1840. Foram dois gênios, um na pintura, o outro na literatura e amigos de infância. É a história dessa amizade que vai ser contada.
Vemos os dois na escola e aproveitando da natureza sublime da Provence, região ao sul da França. Iam juntos em caçadas pelo bosque de folhas verde claro, com altas árvores e arbustos, a terra vermelha, os riachos de pequenas pedras, enormes rochas quase brancas e, ao fundo, o Mont Sainte Victoire. Sem falar do céu turquesa com fiapos de nuvens brancas.
Paul Cézanne era filho de banqueiro, enquanto Émile Zola foi criado com poucos recursos por sua mãe, Émilie (Isabelle Candelier).
Mas, na vida adulta inverteram-se os papéis e a riqueza veio para Zola, recompensa de seu talento e determinação, enquanto Cézanne vivia com apertos financeiros devido a brigas com seu pai, que não aprovava suas escolhas na vida.
Esse é também um filme sensorial. E descreve através de imagens os dois mundos tão diferentes dos dois amigos. Para um deles, pilhas de páginas escritas num salão bem decorado onde luziam cristais, cerâmicas chinesas, sedas e veludos e o robe elegante de Zola, com seu “pince-nez” e barba bem cuidada. De quando em quando saboreava um biscoito, enquanto escrevia.
Para o outro o ar livre, barba e cabelos compridos, chapéu de feltro, roupas descuidadas e a busca da imagem ideal nos quadros que pintava e, muitas vezes jogava com raiva no chão, rasurava com pinceladas cruéis e um eterno mal humor. Mas a paleta fornecerá cores para os milhares de quadros que pintou, procurando uma simplificação geométrica, que depois o tornou chefe de escola, admirado pelos pintores mais jovens.
Pois bem e essa amizade? Fraterna, de abraços apertados e longas conversas, passa a ser mais distante à medida que Zola se torna famoso e Cézanne ainda espera a chegada de Ambroise Vollard, que vai torná-lo reconhecido.
Vamos ver a época da infância e adolescência em
Aix-en-Provence e depois Paris, na taverna de Père Tanguy onde passavam noitadas com Camille Pissarro
(que foi mestre de Cézanne), Auguste Renoir, Manet e outros impressionistas.
Zola e Cézanne tiveram encontros e desencontros. E o rompimento.
Émile Zola, prêmio Nobel de Literatura, repousa no Panteão, onde só os mais ilustres franceses estão e Paul Cézanne pintou o quadro que foi recorde em leilão, 250 milhões de dólares, “Os jogadores de Cartas”.
Picasso e Matisse disseram de Cézanne: “ele foi o pai de todos nós”.
O filme, bem dirigido por Danièle Thompson, termina com os últimos créditos passando projetados nos vários quadros que Cézanne pintou com a paisagem da Provence e o Mont Sainte Victoire ao fundo, indo do naturalismo ao cubismo.
“Cézanne e Eu” é um filme sempre belo.


Casal Improvável



“Casal Improvável”- “Long Shot”, Estados Unidos, 2019
Direção: Jonathan Levine


Eles eram impensáveis juntos. Sem a menor chance de sucesso. E, no entanto...
Fred Flarsky (Seth Ragen) é um jornalista que escreve numa revista do Brooklyn. Ele é judeu e protesta contra as megaempresas de comunicação que estão matando o jornalismo de opinião. A dele é contrária ao “establishment”.
Além disso é uma figura folclórica, vestindo roupas espalhafatosas da Adidas e bonés dia e noite. Tem uma barba ruiva selvagem e parece esforçar-se para não ser diplomático, nunca.
Quando Fred Flasky é demitido ou melhor, pede demissão do emprego porque uma empresa daquelas que ele abomina comprou a revista, eis que ele está na rua. E vai chorar as mágoas com um amigo negro.
Os dois vão parar numa festa de gente rica onde vão tocar os Boys II Men, que Fred adora.
Também está naquela festa a Secretária de Estado, Charlotte Field (Charlize Theron mais bela do que nunca), que pretende ser a próxima candidata à Presidência da República, com o apoio do atual (Bob Odenkirk).
E a surpresa para todos é o olhar que Fred e Charlotte trocam, de repente.  E lá vem as cenas que explicam o que está acontecendo. Eles eram vizinhos e Charlotte foi baby-sitter de Fred, recém adolescente. E, um belo dia, Fred beijou aquela garota linda, um pouco mais velha do que ele.
Bem, como vamos ver, o passado dos dois já mostra que eles não são tão improváveis assim. Existe uma química antiga e que deitou raízes, que volta à cena e estimula aqueles dois.
O roteiro é esperto e cria situações engraçadas que colocam os dois sempre juntos e a sós. A mulher poderosa e disputada quer mais graça e liberdade com um homem que não se apavore com ela.
“Casal Improvável” é uma comédia divertida que não tem medo de ser politicamente incorreta.
Vá ao cinema dar um pouco de risadas com eles também.

sábado, 22 de junho de 2019

Eu Não Sou Bruxa



“Eu Não Sou Bruxa”- “I Am Not a Witch”, Inglaterra, Zâmbia, França, 2017
Direção: Rungano Nyoni

Um início abrupto. Ao som de Vivaldi e violinos, pessoas sacudindo num ônibus. Quando chegam ao seu destino, encontram uma cena surreal. Mulheres negras sentadas no chão, caladas.
Seus rostos tem marcas e pintura branca. De cada uma delas sai uma longa fita branca, presa nas costas e que se enrola em enormes carretéis.
“- Por que essa fita?”, pergunta o turista ao guia.
“- Para impedir de voarem.”
“- Mas até onde voariam?”
“- Até o Reino Unido. Voam para matar. Com a fita ficam inofensivas.”
A jovem diretora e roteirista, Rungano Nyori, 37 anos, nasceu em Lusaka, Zâmbia e foi criada no País de Gales para onde sua família se mudou. Este é seu primeiro longa. E nele ela denuncia a existência dos chamados “campos de bruxas”, onde vivem mulheres negras acusadas de bruxaria. Lá as condições de vida são desumanas e elas trabalham de graça em fazendas do governo.
A diretora visitou um desses campos em Gana e inspirou-se para escrever o roteiro do filme.
A história centra-se numa menina de 9 anos, órfã, acusada de ser uma bruxa.
As testemunhas depõem para uma policial. Um diz que sonhou que foi atacado por ela. Outra emenda dizendo que a água que tirara do poço perdeu-se quando a menina apareceu em sua frente. Outra ainda acrescenta:
“- Senhora, essa criança é uma bruxa. Coisas estranhas tem acontecido desde que ela chegou.”
Perguntada se é um bruxa, a menina não responde. Um feiticeiro também não consegue decidir e ela é levada para uma casinha onde passará a noite. E dizem:
“- Agora depende de você escolher entre ser uma bruxa ou uma cabra.”
Bruxas são propriedade do governo. E Shula vai ser usada por um agente do Ministério do Turismo e Crenças em julgamentos públicos onde deve apontar o culpado. E recebe oferendas que leva para o campo das bruxas.
Alguém num programa de televisão pergunta:
“- E se ela for só uma criança?”
Mas toda aldeia precisa de bodes expiatórios para colocar a culpa de tudo de ruim que acontece. O destino de Shula está selado.
O filme tem cenas belíssimas e poéticas, ao som de música divina. E Shula quase não fala. Seu olhar melancólico diz tudo.
O filme é um conto surrealista e ao mesmo tempo uma denúncia. Pobres crianças usadas por gente que não se importa com elas.
Pobre África.


quarta-feira, 19 de junho de 2019

Obsessão



“Obsessão”- “Greta”, Estados Unidos, Irlanda
Direção: Neil Jordan

Uma bela bolsa verde está abandonada no metrô de Nova York. Frances (Chloe Grace Moretz) vai no “Achados e Perdidos” mas não tem ninguém lá. Então leva a bolsa para casa pensando em devolvê-la pessoalmente.
Frances veio de Boston para morar um tempo com sua amiga Erica (Maika Monroe) que ri dela:
“- Em Nova York quando a gente acha uma bolsa tem que chamar a polícia. Só pode ser uma bomba!”
E, claro, abre e encontra dinheiro, um bilhete de loteria e a identidade com o endereço de Greta Hideg (Isabelle Huppert, sempre magnífica).
Vão ao cinema e Erica percebe que a amiga está chorando antes de começar o filme:
“- É porque cinema era uma coisa nossa, da Mamãe e eu...”
Frances perdera a mãe e ainda estava de luto. Algo acontecera, que não ficamos sabendo, envolvendo o pai dela. Mas uma coisa compreendemos. Frances está sensível e carente, fácil presa para alguém mal intencionado. Existe uma fronteira borrada entre realidade e ficção que penetra na mente dela, que está muito perturbada.
E a misteriosa Greta, que mora numa casinha escondida num beco, fica deliciada quando Frances vem devolver sua bolsa. Convidada para um chá, logo fica sabendo que o marido de Greta morreu e que sua filha Nicola mora em Paris.
Greta senta-se ao piano e toca Liszt, “Um Sonho de Amor”:
“- É o que me resta. Um sonho. Uma lembrança.”
Frances, que sente saudades da mãe, vai se apegar muito facilmente a Greta, aquela que perdeu todos os seus amores. Mal sabe ela onde está pisando.
“Obsessão” é dirigido por Neil Jordan, 69 anos, o escritor, diretor e produtor irlandês, que ganhou vários prêmios com seus filmes como o Oscar de melhor roteiro original por “Traídos pelo Desejo – Crying Game” e o Leão de Ouro em Veneza como melhor diretor por “O Preço da Liberdade”.
Aqui, ele dirigiu e escreveu o roteiro com Ray Wright e o tema principal do filme é o apego com possessividade como doença mental. É o caso da mãe superprotetora doentia que fecha a filha numa caixa, metáfora de sufocação amorosa.
As tintas são mais carregadas no caso da personagem Greta. Ela lembra os ogros das fábulas dos irmãos Grimm. Faminta de juventude, é a bruxa que prende a menina que quer viver sua própria vida. Ele é movida a solidão e rancor.
Também lembra a madrasta da Branca de Neve. A isca aqui é a bolsa, não a maçã. Mas a personagem é a mesma: a mãe que inveja mortalmente a filha.
Isabelle Huppert, falando inglês com sotaque, está ótima como Greta, a seca e tortuosa viúva, plantada em sua casa, à espera.
Se não é um grande filme, também não é mau. Sempre é fascinante ver a brilhante Isabelle Huppert na tela fazendo um personagem. Dessa vez metendo medo nas mocinhas incautas.


segunda-feira, 17 de junho de 2019

Fora de Série



“Fora de Série”- “Booksmart”, Estados Unidos, 2019
Direção: Olivia Wilde


Este é um filme sobre a passagem da adolescência para a vida adulta. Um tema muito usado no cinema. Mas aqui tem algo de novo no modo com que a história é contada. Passa-se nos Estados Unidos, Los Angeles, numa “High School” de jovens descolados, bem vestidos em seus estilos originais e divertidos. Mas há duas garotas que destoam do resto e elas são as personagens principais.
O filme é também a estreia da atriz Olivia Wilde, 35 anos,  na direção. Ela tem origem irlandesa e vem de uma família de jornalistas bem sucedidos.
O roteiro é de Emily Halpern e Sarah Haskins, duas graduadas em Harvard. Ficou rodando os estúdios por um bom tempo até ser apurado por Kate Silberman, Susanna Fogel e a diretora.
As personagens principais são duas melhores amigas, que se sentam na primeira fila da sala de aula, prestam atenção e tiram as notas mais altas porque se dedicam ao que será o futuro delas.
Molly (Beanie Feldestein) e Amy (Kaitlyn  Dever) não se largam, juntas o tempo todo, trocam confidências e segredos. Molly (na vida real irmã de Jonas Hill) vai para Yale e seu sonho é tornar-se a mais jovem juíza da Suprema Corte. E Amy pensa em ir para Botswana fazer trabalho voluntário e depois seguir seus estudos na Universidade de Columbia.
Essas duas melhores amigas não dão a mínima para o fato de serem diferentes dos outros. No fundo, se acham superiores porque é certo que vão entrar nas melhores faculdades.
Elas pensaram em tudo menos no que aconteceu quando Molly, no banheiro da escola, escuta uma conversa de alunos relapsos, sobre as universidades que iriam cursar, tão boas quanto a dela. Um deles já tinha garantido um emprego no Google com um salário que valia a pena.
Foi um choque. Molly conta tudo para Amy e sua conclusão é a de que perderam um bom tempo só estudando e os outros, que não estudaram tanto e se divertiram muito é que estavam certos.
Então ficou decidido que na última noite antes da formatura elas vão fazer tudo que não fizeram até agora. E claro, vão se meter em encrencas colossais,  experimentar drogas, sofrer decepções e fazer algumas descobertas importantes sobre si mesmas.
O filme tem bom humor, diálogos naturais e cenas criativas como quando as meninas se drogam e viram Barbies ou na piscina quando Amy pensa que é uma sereia.
Claro que é um universo muito diferente da maioria das escolas brasileiras mas há nesse filme um sentimento presente em todos os adolescentes de ontem e de hoje, não importando que as roupas e as piadas sejam diferentes. A festa vai acabar...
A juventude passa e não tem jeito. Não volta mais. Há que encarar a vida que continua. Tudo passa.


sábado, 15 de junho de 2019

Memórias da Dor



“Memórias da Dor”- “La Douleur”, França 2017
Direção: Emmanuel Finkiel


Margueritte Duras (1914-1996) foi uma escritora francesa que assinou romances (“L’Amant”), roteiro para cinema
(“Hiroshima, mon amour”), poemas, foi diretora de cinema (“India Song”) e escreveu textos para teatro. Ela foi uma das vozes femininas mais importantes do século XX.
Vamos acompanhar um episódio de sua vida nesse filme de Emmanel Finkiel, que se inspirou no livro dela, “La Douleur”, publicado em 1985, onde conta as angústias que sentia quando seu marido era prisioneiro político dos alemães, durante a ocupação da França na Segunda Guerra. Ele era do Partido Comunista Francês e trabalhava na Resistência.
Robert Antelme (1917-1990) com quem Margueritte foi casada de 1939 a 1947, tinha sido preso e levado para o campo de concentração de Dachau.
A França viveu um período difícil de 1944 a 45 quando se dividiu entre os patriotas que haviam entrado na luta subterrânea contra os invasores, enquanto outros aderiram ao inimigo.
“Memórias da Dor” com Mélanie Thierry fazendo o papel da escritora com o coração e a alma, transmite com palavras e imagens o que se passava no interior dela, enquanto, desesperada, procurava por notícias do marido.
Ela chega a se aproximar de um policial francês ligado à Gestapo, Pierre Robier ( Benoit Magimel), para se informar sobre o que podia estar acontecendo com ele.
Quem muito a ajudou nesse momento terrível foi o companheiro da Resistência, Dionys (Benjamin Biolay). No filme há uma alusão velada de que os dois teriam sido amantes. O certo é que ele foi seu segundo marido de 1947 a 1956.
Mas é a espera o tema principal do livro “La Douleur”. Margueritte em sua espera pela volta do marido vai caminhando do campo da esperança para o da descrença e a certeza de que Robert está morto. É um desejo de vida que vai se transformando numa angústia insuportável.
Quando tudo acaba, a dor da espera a abateu. Definhou, ficou doente e em suas lembranças delirantes de febre revive a dor da morte do filho deles, recém nascido.
Margueritte Duras, talentosa e reflexiva, derrama no papel o que se passou com ela, mas também com os franceses e com a França em seu livro “La Douleur”.
O filme tenta passar essa qualidade poética e lúcida do texto, mas são artes diferentes.  E portanto, o filme fica a dever ao livro. Mas é sempre assim. Como condensar uma rica vida intelectual e afetiva em duas horas?

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Um Homem de Sorte



“Um Homem de Sorte”- “Lykke-Per”, Dinamarca, 2018
Direção: Bille August


Peter Sidenius (Esben Smed) viveu no fim do século XIX na Dinamarca. Mas poderia ter nascido em qualquer lugar do mundo em qualquer século. Quem não conhece pessoas que para conseguir o que querem passam em cima de quem quer que seja?
Egoísmo exacerbado, falta de autocrítica, megalomania, narcisismo, misturados em doses diferentes com uma bela figura, talento para o desenho, mente criativa e poder de sedução. Tudo isso eram características do filho de um clérigo cristão protestante, rígido e pobre, com muitos filhos para criar.
Nessa família, a religião e a austeridade marcavam o caráter das pessoas e a maneira como viviam. A tradição de servir como homem religioso à comunidade, passava de pai para filho. Abominavam a ciência e a riqueza. O ideal a ser cultivado era a humildade e o amor altruísta.
Mas Peter rebelou-se contra esse destino que não o agradava e foi para Copenhaguem, amaldiçoado pelo pai.
Lá passou fome mas frequentou a Faculdade de Tecnologia Avançada.
Porém o estranho disso tudo era que na Faculdade, que tanto sonhara em cursar, não era um bom aluno. Não se aplicava e não aprendia muito, o tempo todo pensando e desenhando seus próprios projetos. Ele era um gênio e não precisava aprender o que já sabia, pensava Peter.
Queria ser engenheiro para poder materializar seu sonho de grandes obras que modernizariam o país. Usando a força da natureza, as ondas do mar e os ventos, conseguiria energia para grandes usinas.
Também gostava de falar sobre seu projeto de canais que diminuiriam a distância entre as cidades e do porto internacional que imaginava para a Dinamarca.
Mas, para tudo isso, precisava conseguir dinheiro de investidores. Peter era otimista quanto a isso. Era seu sonho e iria transformá-lo em realidade.
A vida o colocou na casa dos Salomon, judeus ricos de Copenhaguem que tinham duas filhas solteiras. Logo encantado com a beleza da mais jovem, Peter muda de alvo ao descobrir que era a mais velha que receberia a maior parte da herança da família.
“- Que homem de sorte”, diziam todos sobre ele, apadrinhado pelos Solomon que pretendiam investir em seus projetos  e noivo da bela e rica Jakobe ( Katrine Greis-Rosenthal).
Entretanto, a sabotagem da própria auto destrutividade ancorada na presunção, irá atrapalhar os planos de Peter.
A maldição do pai o persegue criando ao seu redor um clima paranoico e desequilibrado.
O filme com roteiro do próprio diretor e seu filho Anders, baseado no livro de Henrik Pontopiddam, tem imagens belíssimas (Dirk Bruel), figurinos apurados, reconstituição de época sem defeito e atuações convincentes.
Há quem vá achar a história melodramática demais, enquanto outros vão adorar o filme pelo mesmo motivo.
Único senão é a duração de quase 3 horas que alguns não conseguirão aguentar. Mas como passa na NETFLIX, que produziu o filme, dá para ver em quantas vezes quiser. E ir saboreando aos poucos.