terça-feira, 27 de novembro de 2018

Infiltrado no Klan




“Infiltrado no Klan”- “BlacKKKlasman”, Estados Unidos, 2018
Direção: Spike Lee

É uma comédia. Mas só até ficarmos horrorizados com o que vamos descobrindo. Daí passamos a pensar seriamente sobre as questões que envolvem o racismo, não só nos Estados Unidos mas em toda parte onde vemos essa atitude crescendo e assustando. A intolerância e o preconceito, de mãos dadas, fazendo notícia.
A história que vai ser contada no filme é real. O negro Ron Stall Worth (John David Washington, filho de Denzel) foi o primeiro policial dessa cor nos anos 70 no Departamento de Polícia de Colorado Springs. Ao aposentar-se, escreveu o livro que serviu na adaptação para o cinema.
Ele sempre sonhou em ser policial mas detestava o trabalho de rotina que lhe deram nos arquivos da delegacia, meio para escondê-lo. Até entre os policiais, seus companheiros, havia racismo. Resolveu então tomar a iniciativa, depois de conhecer uma ativista do movimento “Black Power”, cópia de Angela Davis, interpretada por Patricia Harrier.
Ron quer ser detetive. Ao se deparar com um anúncio de recrutamento do Kukluskan no jornal local, telefona e se faz passar por um branco ariano que detesta negros e judeus, caindo logo nas graças do membro da Organização, como eles gostam de ser chamados, por motivos óbvios.
O chefe de Ron topa a investigação que ele propõe e entra no circuito o policial branco e judeu, Flip  Zimmerman (Adam Driver), que se faz passar por Ron nos encontros cara a cara com os membros da Organização, inclusive o próprio Chefe, conhecido como diretor nacional, David Duke (Topher Grace).
Se fossem descobertos, estariam mortos. Mas conseguem desbaratar o que seria um ato de terrorismo do Klan.
Sabemos que o diretor é ativista do movimento anti-racista nos Estados Unidos. Em todos os seus filmes ele faz lembrar desse tema mas nunca foi tão contundente quanto nesse “Infiltrado no Klan”. E o momento político nos Estados Unidos é propício para que uma reflexão séria seja feita.
O filme, que ganhou o Grande Prêmio do Júri em Cannes, termina mostrando a realidade cruel da violência e da intolerância, com cenas dos acontecimentos de 2017 em Charlottesville, que todo mundo viu na televisão.
O filme de Spike Lee é mais do que oportuno. É obrigatório.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

O Grande Circo Místico




“O Grande Circo Místico”, Brasil, 2018
Direção: Cacá Diegues

Tudo começou em 1910 quando o cometa Halley passava pelos nossos céus, trazendo pânico e comoção.
Naquele casarão da família Knieps, o patriarca (Antonio Fagundes) morre, enquanto sua amante, a Imperatriz Teresa, exilada no Brasil, satisfaz o desejo de seu filho bastardo Frederic Knieps (Rafael Lozano), dando-lhe de presente um circo.
O exótico pedido foi concedido a Fred que, encantado, deu o circo à sua amada Agnes, na verdade Beatriz, já que ela adotara o nome de sua mãe, que era a mulher-bala, no circo onde abandonou a filha.
A bela Beatriz (Bruna Linzmeyer), olhos azuis e corpo sensual, era dançarina contorcionista e tornou-se um dos atrativos do Grande Circo Místico. Em meio às suas elaboradas posições, as pedras que adornavam seus véus tilintavam e brilhavam à luz dos refletores.
Mas a pobre Beatriz morre no parto em pleno picadeiro, iniciando assim uma série de mulheres malfadadas. Sua filha Charlotte (Marina Provenzzano) herda o circo mas não é amada como fora sua mãe. O mímico bem dotado casa com ela por interesse (Vincent Cassell), a trata mal, tem outras mulheres e dissipa sua fortuna.
Eles tem dois filhos e a bailarina Clara é a primeira sábia deserção. Ela decide ir para o Rio e tornar-se artista de televisão, largando o circo com o irmão Oto. Não sem antes dançar ao som da música dela, cantada por Chico Buarque e coro de crianças, num belo e inspirado momento.
É nesse momento que percebemos a presença de Celavi (Jesuita Barbosa), com um nome que é a pronúncia em francês de “c’est la vie”, e é um personagem que não envelhece e tem humor em suas falas. Ele é o mestre de cerimônias do circo e testemunha os infortúnios que sofrem as cinco gerações da família Knieps até o século XXI.
A última e mais profunda sofredora é Margarete (Mariana Ximenes), filha de Oto e de uma cantora drogada, que abandona a filha bebezinha. Ela quer ser freira mas o pai é contra essa ideia, já que é uma trapezista admirável. Margarete elabora então uma estranha vingança.
Cacá Diegues, cineasta e membro da Academia Brasileira de Letras se disse encantado desde a juventude pelo poema de Jorge de Lima, escrito em 1930, e que o inspirou a fazer o filme.
Belíssimo em certas passagens, como aquela da entrada em cena de Beatriz (com a voz de Milton Nascimento cantando seu tema, uma das músicas que Chico Buarque e Edu Lobo compuseram para o balé de 1983, do mesmo nome do poema e do filme), em seu todo o filme perde em ritmo e clareza, confundindo o espectador. A fotografia de Gustavo Hadba cria cores e luzes fascinantes que distraem mais do que a história que está sendo contada.
“O Grande Circo Místico” se desfaz diante dos nossos olhos não só em sua decadência mas na falta de interesse.  O final é tecnicamente perfeito mas de mau gosto, longo demais, com as gêmeas nuas e rindo sem parar.
Fica a sensação de que a família dona do circo se especializou em ser infeliz, especialmente as mulheres. O circo teria sido uma espécie de presente de grego da Imperatriz para o filho bastardo. Uma maldição.
Pena. Cacá Diegues, que já nos deu filmes como “Bye Bye Brasil”, se perdeu no filme que vai representar o Brasil no Oscar. C’est la vie?

domingo, 18 de novembro de 2018

Um Segredo em Paris





“Um Segredo em Paris”- “Drôle d’Oiseaux”, França, 2018
Direção: Elise Girard

É inverno em Paris e as árvores mostram seus galhos sem folhas. Uma moça bonita de uns 25 anos, vestida toda de negro, o que realça sua pele muito branca e cabelos ruivos, atravessa a ponte sobre o Sena. Ouvimos o grito das gaivotas.
Entra num café, tira uma caneta da bolsa e escreve num caderno. Em “off” ouvimos suas impressões sobre Paris: “... é grande mas menor do que eu pensava... dá para fazer toda ela a pé se alguém quiser...gosto muito das fachadas dos grandes edifícios...” Ela quer ser escritora.
De noite a vemos lendo, deitada no sofá do apartamento da amiga que a hospeda ( Virginie Ledoyen ), com seu gato Jacques. Mas o barulho enlouquecedor da transa no quarto de Felícia, a incomoda e ela sai para andar pelas ruas.
Olha uma estátua, a rua, o Sena que brilha, mas seus olhos parecem não ver. Perdida em seus pensamentos, leva um susto quando uma gaivota cai morta a seus pés. O que aconteceu? Mistério.
Dia seguinte, descobre um anúncio no café, no qual oferecem um emprego numa livraria. Lá, ela espera mas como ninguém aparece, sai. Logo volta porque a amiga continua na cama, com seu amor louco.
E quando a vemos de novo já está empregada, por um senhor de cabelos brancos, passado dos 70, mas elegante e ainda uma bela figura. Ela ocupa o pequeno sótão acima da livraria e recebe envelopes com bastante dinheiro das mãos do patrão. De onde vem aquele monte de notas? Ninguém compra livros ali...Outro mistério.
Esses dois personagens, nada comuns, vão se aproximar através de longos silêncios partilhados em passeios no carro dele, descobrindo vistas sobre a cidade. Ela precisa se ocupar e arruma as prateleiras da livraria e a mesa dele, sendo observada com cuidado. Apesar de ostentar um mau humor crônico, Georges tem um bom coração, que ele esconde bem.
A diretora Elise Girard é também a co-roteirista desse seu segundo filme, que tem um charme especial. Além de ter como estrela a filha de Isabelle Huppert, Lolita Chammah, que faz Mavie (em francês, o nome soa como “minha vida”), a moça do interior que vem para Paris “para respirar”, tem também o pai dela, Ronald Chammah, numa ponta brevíssima.
Mas o grande trunfo é Jean Sorel, 84 anos, como o livreiro Georges, depois de dez anos longe do cinema. Ele, o galã francês de primeira linha, de “Vagas Estrelas da Ursa” de Luchino Visconti e o marido de Catherine Deneuve em “A Bela da Tarde” de Luis Bunuel, faz a grande diferença no filme. Seu personagem misterioso e que ironiza a vida e o amor, vai retirar-se de cena para que Mavie possa ter o romance que ele já não pode dar a ela. O dele é um amor platônico e paternal que comove e que vai fazer Mavie chorar dentro do cinema e atrair um lenço de um rapaz (Pascal Cervo), também misterioso, à sua maneira.
Tão simples e tão sofisticado.


quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Legítimo Rei



“Legítimo Rei “, “Outlaw King”, Reino Unido, Estados Unidos, 2018
Direção: David Mackenzie

A bela Escócia das “Highlands”, as montanhas verdes no verão, com riachos e arco-íris depois da chuva, é o cenário desse filme que conta a história de Primeira Guerra pela Independência, no século XIV.
Tudo começa com uma derrota.
Robert de Bruce (Chris Pine) e os lordes da Escócia se rendem ao Rei Eduardo I da Inglaterra (Stephen Dillane), a contragosto. Era a única saída. O exército inglês era poderoso, com muitos soldados bem armados enquanto que o escocês era quase inexistente.
Robert de Bruce volta às suas terras. Ele, viúvo, casa-se com Elizabeth de Bursh (Florence Pugh, ótima atriz) que se mostra à altura do que era esperado dela, muito mais jovem do que o marido. Alinhou-se ao lado de Robert e ajudou a criar sua filha (Rebbeca Rubin). Será a Rainha da Escócia depois de muitas provações.
São momentos românticos e leves num castelo austero e sem luxos mas mostrando um par em sintonia amorosa.
Um breve hiato, pois quando o mártir da Independência,  William Wallace, é morto e esquartejado pelos ingleses e tem seu corpo, em pedaços, espalhado pelas aldeias da Escócia para amedrontar o povo e seus líderes, acontece o que não se esperava. Há uma revolta enorme.
Isso vai fazer com que Robert de Bruce possa unir os clãs para lutar pela liberdade e tornar-se o Rei dos Scots, Robert I.
Mesmo que para isso tenha que haver um assassinato, cometido pelo próprio aspirante a rei.
O forte do filme de David Mackenzie, além das excelentes interpretações, está nos campos de batalhas. A força e a fúria dos homens que dão sua vida por essa causa, impressiona. Homens a pé enfrentam a cavalaria inglesa, ensanguentados e enlameados, valentes no corpo a corpo, numa luta feroz com punhos, espadas, facas e lanças.
O Rei está ao lado de seus soldados, lutando com eles. Exclama:
“- Eu sou o Rei dos escoceses e não Rei dessas terras.”
Não o movia a ambição de riquezas mas o ideal de liberdade, de um povo que queria comandar o seu destino, governado por um igual a eles. Estavam fartos de ter que pagar impostos aos ingleses.
Quem assistiu ao famoso “Coração Valente” de Mel Gibson, aqui verá uma outra história, a verdadeira, historicamente falando, do Rei Robert I, que encarnou um ideal que até hoje empolga boa parte do povo escocês, a liberdade de seu país, ainda unido à Inglaterra.


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Museu




“Museu”- “Museo”, México, 2018
Direção: Alonzo Ruizpalacios

Um roubo deixa o México estarrecido. Levaram 140 peças da cultura Maia que estavam expostas no Museu Arqueológico da Cidade do México, na véspera de Natal de 1985. Quem terá tido essa audácia, perguntam-se os mexicanos. Certamente criminosos internacionais especializados em roubos de arte.
Nós, na plateia, sabemos quem foi e estamos surpresos de como aqueles dois amigos, estudantes de veterinária, Juan (Gael Garcia Bernal, ótimo) e Benjamin Wilson (Leonardo Ortizagris), conseguiram tal feito, com tanta facilidade.
O narrador, que é o cúmplice de Juan, comenta no começo do filme que o amigo sempre dizia que não acreditava no que lia nos livros de História. Como saber se aquilo que está contado lá é verdade? Porque só a pessoa que viveu aquele fato é que poderia saber. E às vezes, nem mesmo essa pessoa sabe, acrescenta o narrador.
E, como somos avisados que o que vamos ver no filme “Museu” é uma réplica da história original, entendemos que o centro principal aqui não é o roubo mas as motivações dos jovens que o cometeram e suas consequências.
Os dois moravam em Cidade Satélite, subúrbio de Cidade do México, ambos de classe média, vivendo ainda com a família. Benjamin tinha que cuidar do pai, doente terminal. E Juan era de uma família grande com pai e mãe, tios e tias e irmãs mais velhas, casadas e com filhos. Não era levado em consideração por ninguém na família. Era um tipo perdido que não conseguia terminar sua tese da faculdade para receber o diploma. Não se esperava nada dele.
Talvez então fizeram o que fizeram para ser alguém? Ou era só o dinheiro que esperavam conseguir com a venda das peças o que mais importava? Não sabemos. Uma coisa é certa. O cérebro do roubo era Juan. Benjamin seguia o amigo.
Os dois davam a impressão de não pensar no que iria acontecer depois do roubo. Aliás, são cenas belíssimas, filmadas em total silêncio, no museu às escuras, iluminado apenas com as lanternas da dupla.
Duas cenas somente fazem pensar em algo como remorso ou culpa na mente de Juan: a alucinação com o rei Pacal bloqueando o caminho da fuga do museu e um sonho com o pai em silêncio olhando sério para ele.
Mas os dois vão ter que cair na real. Quem no mundo seria tolo o bastante para comprar o tesouro que haviam roubado? Eram peças extraordinárias, históricas, de preço incalculável. E mais: todo o México procurava as peças roubadas. O que estava enrolado em camisetas nas mochilas deles era ao mesmo tempo um tesouro precioso e invendável.
Irônico e infeliz plano na cabeça de jovens que não sabiam que a cultura vale mais que o dinheiro.
O roteiro de Alonso Ruizpalacios, o diretor e Manuel Alcalá ganhou o Urso de Prata de melhor roteiro no Festival de Berlim 2018.


domingo, 11 de novembro de 2018

Millenium : A Garota na Teia de Aranha




“Millenium: A Garota na Teia de Aranha” – “The Girl in The Spider Web”, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Suécia, Canadá, 2018
Direção: Fede Alvarez

Lizbeth Salander, a heroína sueca “punk” dos livros de Stieg Larsson, mudou. Ela foi recriada por David Lagercrantz, autor também sueco do quarto livro que continua a trilogia do primeiro, falecido precocemente aos 50 anos. E a vemos no novo filme dirigido por Fede Alvarez, na pele de Claire Foy, a estrela da série “The Crown”, que mostra também seu talento no filme em cartaz, “O Primeiro Homem”.
Agora, Lizbeth é mais antenada em tecnologia, usa roupas pretas coladas no corpo, o cabelo é curto mas sem o corte “apache”, continua bissexual mas sem cenas de sexo no filme e os “piercings” são discretos.
Não é tão reclusa e é mais atuante nas causas feministas, ajudando mulheres a se livrar de machistas abusivos, que são chantageados para tomar jeito.
Aqui há um elo importante com o seu passado e o pai perverso aparece em cenas na casa da família, com Lizbeth e Camilla, a irmã que fica sózinha com o pai por 16 anos, traumatizada ao extremo. Por que Lizbeth não voltou para ajudá-la?
Vestida de vermelho, loura e vingativa, Camilla (Sylvia Hoeks) é o contraponto de Lizbeth, morena, vestida de preto e aparentando fragilidade.
A trama envolve um projeto chamado Firefall, criado por Frans Balder (Stephen Mechant). Ele cedeu seu invento, que abre o acesso aos códigos de todas as armas nucleares do mundo, aos americanos mas está arrependido.
Ele entra em contato com Lizbeth Salander para que ela roube o projeto mas depois desacredita de sua honestidade, influenciado por uma integrante corrupta da polícia sueca, que tem planos misteriosos.
Um agente da NSA americana (Lakeith Stanfield) percebe que o dono do projeto está em Estocolmo e vai intervir no processo.
Balder, o dono do Fierfall tem um filho de uns 10 anos, Gustav (Christopher Convery) que está com ele em Estocolmo. Ele ganha uma partida de xadrez com Lizbeth e vai ser peça chave na história.
O filme do uruguaio Fede Alvarez tem um espírito diferente dos anteriores que mostravam Noomi Rapace e Roney Mara como Lizbeth. No corpo de Claire Foy a heroína é menos excêntrica e mais afetiva. Se bem que o ex editor da revista Millenium, Mikael Blomkvist (Sverrir Guduason), que tinha uma queda por Lizbeth e vice versa, não é mais o parceiro dela. Aqui ele é mais apagado e quase dispensável na trama.
Além disso, o filme deixou de ser tão sueco, o que o fazia diferente dos outros filmes de mistério e ação.
A melhor coisa do “Millenium: A Garota na Teia de Aranha” é Claire Foy. Ela vai da moto Ducati ao Lamborghini mas demonstra mais seus temores e mostra laivos de empatia. Continua terrível em seus sentimentos de vingança e a cena final é wagneriana.
A heroína fica na nossa memória mas o filme de ação é facilmente esquecível.



sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos



“O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos”- “The Nutcracker and The Four Realms “, Estados Unidos, 2018
Direção: Lasse Hallstrom e Joe Johnston

Quem gosta de balé sabe que Natal sem o “Nutcracker” não existe. Com música de Tchaikovsky e coreografado por Marius Petipa e Lev Ivanov, estreou em São Petersburgo em 18 de dezembro de 1892 no Teatro Mariinsky.
A história do balé é baseada num conto de E.T.A. Hoffmann, “O Nutcracker e o Rei Rato”, que foi adaptado por Alexandre Dumas como “A História do Nutcracker”, que tem a forma de um soldado de brinquedo.
O filme da Disney passa-se na Inglaterra vitoriana e vemos, na abertura, uma coruja que sobrevoa Londres num voo panorâmico. É véspera de Natal e a neve cai nas ruas e praças com árvores enfeitadas.
Porém, na casa dos Stuhlbaum há um clima de tristeza que destoa da alegria da festa. As três crianças perderam a mãe. O pai, também desolado, tenta divertir os filhos mantendo as tradições. Chama todos para os presentes escolhidos pela mãe antes de morrer.
Louise (Ellie Bamber), a mais velha, ganha o vestido favorito da mãe, Fritz (Tom Sweet), o irmão menor, fica feliz com seus soldadinhos e Clara (Mackenzie Foy), a filha do meio, herda um precioso ovo de prata que pertencera à sua mãe. Mas falta a chave para abrir o ovo.
Acontece que o padrinho de Clara, Drosselmeyer (Morgan Freeman) era muito amigo da mãe dela, uma mulher inteligente e criativa. Os dois criavam brinquedos maravilhosos. E Clara era a filha que puxou à mãe e também adorava criar as engrenagens que movimentavam os brinquedos.
É na casa de seu padrinho, durante a festa de Natal, que ele a leva a descobrir um portal mágico que vai dar passagem aos Quatro Reinos, à procura da chave que vai abrir o ovo.
Lá Clara se alia ao Capitão Phillip (Jayden Fowora-Knight) que é o Nutcracker e é recebida pela Fada Sugar Plum (a bela Keira Knightley), que também chora a perda de sua rainha, mãe de Clara. Parece que vai haver guerra porque a Mãe Ginger (Helen Mirren) do sombrio Quarto Reino ameaça os outros reinos.
Só que Clara vai ver que nada é o que parece ser.
O ponto central da história é como lidar com a questão da perda de uma pessoa querida, o luto de Clara pela morte de sua mãe. A garota vai ter que achar a chave que trará as respostas de que ela precisa. É uma viagem de auto conhecimento.
Mas essa produção Disney é feita principalmente para encher os olhos do público. Há pouca dança mas a encantadora Misty Copeland se sai muito bem nas pontas e a trilha sonora inclui trechos da conhecida música de Tchaicovsky para o balé.
A produção de arte é extraordinária na criação de belíssimos cenários e os figurinos de Jenny Beavan são de ganhar Oscar. Há tanto para ver que a impressão é a de que perdemos muita coisa, nesse filme em 3D bem aproveitado.
“O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos” é um filme para todas as idades e um espetáculo visual especialmente caprichado.