segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Uma História Impossível




“Uma História Impossível”- “Secretariat”, Estados Unidos, 2010, NETFLIX
Direção: Randall Wallace

Essa incrível história real começa em Denver,1969, quando o telefone soa cedo na casa dos Tweedy. Penny (Diane Lane), a mãe da família de quatro filhos, atende e seu semblante fica grave e triste:
“- Iremos essa tarde.”
A mãe dela tinha morrido na Virginia em Medows Farm, onde o pai criava cavalos de corrida. E, como o pai estava doente, vemos Penny Chenery, seu nome de solteira, tomar a decisão de sua vida. 
Recusou-se a vender a fazenda e passou a administrar a propriedade. Ia e vinha entre o Colorado e a Virginia.
O marido pergunta:
“- Como você pode viver duas vidas numa só?”
Claro que ela teve que negligenciar um pouco seus filhos e marido mas ela tinha nascido para aquilo. Era bonita, charmosa e elegante mas principalmente inteligente e amante de cavalos de corrida.
Era março de 1970 quando Penny, emocionada, vê nascer o potrinho da égua Something Royal, comprada pelo pai. Intuitivamente, ela já sabia que ele seria sua paixão. Algo inexplicável acontecia entre eles e essa comunicação vai nortear a vida dos dois. Dizem que nunca se viu um potro levantar-se e ficar em suas patas tão rapidamente depois do nascimento.
O filme vai contar a história desse potrinho que se tornou o cavalo de corrida mais famoso dos Estados Unidos. E vamos ver como sua dona soube montar uma equipe de primeira. Penny, o treinador Lucien Laurin (John Malkovitch, divertido) e seu tratador Eddie Sweat (Nelson Ellis) vão levar Secretariat, o nome oficial escolhido para Big Red, como era chamado na intimidade, a desenvolver todo o potencial com que ele nasceu.
Em 1973, Secretariat tornou-se o primeiro cavalo a ganhar a Triple Crown em 25 anos. São três corridas: o Kentucky Derby, Preakness Stakes e Belmont Stakes. Essa última, a mais longa, ele venceu por inacreditáveis 31 corpos de vantagem. E ironicamente, alguns diziam que ele era um cavalo bom só para distâncias curtas.
Em uma semana, Secretariat estava na capa da Time, Newsweek e Sports Illustrated.
O filme é dos estúdios Disney e conta essa história incrível que agrada a todos, mesmo os que não entendem nada de cavalos, nem de corridas.
“Uma História Impossível” deixa a plateia embasbacada com a força e inteligência desse cavalo maravilhoso e com a equipe que conseguiu ultrapassar todas as dificuldades e ficar na história, não só dos esportes mas deixando uma lição de persistência, confiança e amor entre humanos e cavalos.


domingo, 17 de fevereiro de 2019

Homem-Aranha e o Aranhaverso



“Homem-Aranha no Aranhaverso”- “Spider-Man Into the Spider-Verse”, Estados Unido, 2018
Direção: Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman

Confesso que saí do cinema meio zonza com tantas cores, reviravoltas, quedas, trambolhões. Mas o charme do Homem-Aranha continua intacto, apesar dele morrer nessa animação.
Deixaram para trás o personagem criado por Stan Leee Steve Ditko? Não. Porque o Homem-Aranha, com seu espírito de adolescente, brincalhão, imperfeito mas sempre disposto a ajudar quem precisa, está lá. Não em um mas em vários Homens-Aranhas e uma única Mulher-Aranha.
Mas vamos por partes. O Homem-Aranha morreu e o nosso herói Miles Morales não sabe que vai ser o herdeiro do título. Ele mora no Brooklyn com o pai que é um policial negro, Jefferson (Brian Tyree Henry) e a mãe que é uma latina. Ele foi sorteado e ganhou uma bolsa de estudos. Vai ter que sair da escola do bairro e entrar numa escola particular que tem um ensino mais puxado e uniformes.
Miles não está particularmente satisfeito com isso e usa de estratégias para não ser aceito. Erra todos os quesitos de um teste, o que prova que ele sabia direitinho quais eram as respostas corretas. A única coisa que o atrai nessa nova escola é a presença de Wanda, uma loirinha esperta e bela.
Miles sai com o tio Aron (Mahershala Ali), que o pai não aprova por causa de seu estilo de vida e vão fazer grafitagem num lugar escuro e proibido do metrô.
Lá aparece uma minúscula aranha radioativa e pica Miles, que não se importa nada com isso.
Só que na escola ele começa a perceber que está mudado. O que seria aquilo em suas mãos que gruda em tudo? Até no cabelo de Wanda, para a aflição dos dois?

Bem. Miles vai precisar ser preparado para se tornar o Homem-Aranha. E quando o Rei do Crime aciona uma máquina que cria um portal para outros universos, Miles vai encontrar um mentor, o próprio Homem-Aranha, numa versão alternativa, mais velho, deprimido, menos musculoso e com um pouco de barriga, Peter B. Parker (Jake Johnson).
Junto com essa versão virão outros, de outros mundos, como a Spider-Gwen (Hailee Seinfeld), Aranha-Noir (Nicolas Cage), Peni Parker (Kimiko Glenn) e Peter-Porker, o Porco-Aranha (John Mulaney). Todos juntos vão encarar o Rei do Crime e a malvada Olivia Octavus e arrumar os universos de novo, cada um com seu Aranha.
A mensagem mais importante do filme é a de que ninguém nasce feito e até quem tem superpoderes tem que crescer, aprender e amadurecer. Como qualquer outro ser humano.
Miles Morales, um garoto carismático, diz para a plateia : “Qualquer um pode usar a máscara!”
Ou seja, como está escrito no fim do filme na tela: “Quem ajudar o outro sem ter essa obrigação, é o verdadeiro herói.”
Não foi à toa, que essa animação já ganhou o Globo de Ouro e o Critic’s Choice Award e está na lista dos indicados a melhor animação no Oscar 2019.
Merecidos prêmios por sua originalidade e a arte com que são feitos os desenhos. Uma viagem lisérgica!


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Guerra Fria




“Guerra Fria”- “Cold War”, Polonia, 2018
Direção: Pawel Pawlikowski

Um homem bonito, pianista e compositor, Wiktor (Thomasz Kot) e uma produtora, viajam pelo interior da Polonia pós guerra, 1949, com um microfone na mão. Gravam canções e sons de instrumentos próprios dos camponeses, para montar um show folclórico.
Uma visita de Wiktor a uma igreja em ruinas, com afrescos desbotados que mostram um rosto de olhos límpidos, prepara o tom melancólico da história que vai ser contada.
Na audição dos jovens que farão parte do grupo “Mazurka”, um olhar intenso se faz notar entre Wiktor e Zula (Joanna Kulig), jovem loura e bela que canta lindamente uma canção nada polonesa mas tirada de um filme russo. Ela é da cidade e tem um ar decidido mas enigmático.
Quando ouve que Zula esteve na prisão por atacar o pai que ameaçava a mãe dela, com uma faca, Wiktor parece mais interessado ainda por ela.
Zula torna-se a estrela da companhia que passa a cantar e dançar não mais o puro folclore da Polonia mas algo muito sovietizado. Como pano de fundo, agora é o rosto de Stalin que faz parte do cenário. E na plateia em Varsóvia, quando o grupo se apresenta, membros do partido lotam o teatro.
Zula e Wiktor são muito diferentes. Ele é reservado, talentoso mas se ressente da falta de liberdade na Polonia. Ela é uma força da natureza, impulsiva e desconfiada de tudo e todos. A paixão vai sofrer com esses temperamentos opostos.
Quando se apresenta uma oportunidade de fuga para Paris, 1952, ele espera por ela na rua de Berlim, no frio e na neve por horas. Mas ela não aparece.
E vai ser assim a vida desses dois que vão viver se desencontrando depois de encontros apaixonados.
A música talvez seja a melhor ilustração para entender como são diferentes. Wiktor vai tocar jazz, improvisando no piano seus estados de alma, num clube noturno em Paris e Zula vai continuar a cantar e dançar o falso folclore.
Numa dessas noites que se encontram pelo mundo ele diz:
“- Você precisa ter mais confiança em si mesma.”
“- Eu tenho confiança em mim mesma. Mas não tenho confiança em você”, responde ela.
A escolha de Wiktor é pela liberdade de exercer sua profissão e viver a vida. A de Zula é pela segurança de escolher algo que ela conhece, apesar de não lhe trazer felicidade. Ela sofreu mais do que ele.
E talvez Zula represente a Polonia espoliada de uma identidade própria, culpada por aceitar o jugo totalitário mas com medo e desconfiada de tudo. Paris vai ser melhor do que Varsóvia?
Pawel Pawlikovski (“Ida”) inspirou-se na vida de seus pais para escrever o roteiro e Lucas Zal ilumina a tela com imagens em preto e branco mais sombrias quando na Polonia e mais brilhantes quando em Paris. Uma tela negra separa os momentos de encontro desse casal que viveu intensamente coisas que a separação não consegue fazer esquecer.
Vão se amar a vida toda.
Pawlikovski ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes do ano passado e seu filme representa a Polonia na lista dos indicados a melhor filme estrangeiro no Oscar 2019.
Um filme romântico e triste.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Cafarnaum



“Cafarnaum” - “Capharnaum”, Libano, 2018
Direção : Nadine Labaki

No tempo de Jesus, Cafarnaum era uma cidade na Galileia, onde ele pregou e curou doentes Em 665 d.C. foi destruída por um violento terremoto. Em 1894 o lugar onde a cidade estava foi adquirido dos beduínos, donos da terra, pelos franciscanos que, pacientemente, restauraram a cidade bíblica. O nome da cidade virou sinônimo de “cáos” em árabe.
Beirute, uma cidade esplêndida à beira mar, tem bairros onde impera a pobreza e a violência. Foi palco de guerras, tragédias e muito sangue derramado. Uma vista aérea mostra um lugar sem cores nem brilho, telhados improvisados, ruas estreitas, buzinas, balbúrdia, poeira e crianças nas ruas brincando de guerra com armas de brinquedo.
Zain, um menino mirrado de uns 12 anos, com ar decidido e sempre muito sério, rostinho amuado, vive com os pais e muitos irmãos num prédio caindo aos pedaços. Dormem no chão, estão mal alimentados e os menores vivem chorando.
Falta tudo naqueles cômodos sujos. Principalmente cuidado com as crianças. Pai e mãe não tem jeito para carinhos. São pessoas duras, sofridas e ignorantes. Fazem filhos sem responsabilizar-se por eles. Não sabem educar, só castigar.
Zain trabalha fazendo entregas dos comerciantes locais mas a família é sustentada pelo tráfico de Tramadol, uma droga que o menino compra sem receita na farmácia, inventando mentiras que são aceitas sem problemas.
Através de um estratagema original vendem a droga na prisão onde está o tio.
Zain tem uma irmã que ele adora, de 11 anos, Samar, que os pais querem vender ao filho do locatário do prédio onde moram. O menino tenta evitar a execução desse plano mas não consegue impedir o negócio.
É então que ele sai de casa, amaldiçoando pai e mãe. E vai viver seu inferno particular.
Em suas andanças perdidas na cidade, Zain encontra Rahil, uma etíope ilegal que tem um bebê e acaba ajudando ela, tomando conta de Jonas. Toda a atenção que nunca teve, Zain vai exercitar com esse bebê. Há cenas engraçadas e ao mesmo tempo angustiantes com as aventuras dessa dupla.
Mas o cáos não dá trégua e envolve cada vez mais Zain que, finalmente, é tomado pela ira.
Depois de muito penar, o primeiro sorriso de Zain emociona e é uma nota de esperança que levamos conosco, em meio a lágrimas.
Nadine Labaki, que aparece no filme como a advogada de Zain, ganhou o prêmio do Júri de Cannes e seu filme está na lista dos indicados para o Oscar de melhor filme estrangeiro.
“Capharnaum” mostra que sua diretora tem o olhar humanista que é tão necessário nos dias em que vivemos. Imperdível.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

O Peso do Passado




“O Peso do Passado” - “Destroyer”, Estados Unidos, 2018
Direção: Karyn Kusama

Os olhos verdes de uma mulher, com grandes olheiras e sem brilho, nos contam, desde o início, que ela passou por algo terrível, que a marcou para sempre. Andando ela parece um robô. Muito magra e pálida, mal consegue se manter em pé. Estará bêbada?
Os policiais numa cena de crime, um homem assassinado, pedem que ela se vá:
“- Detetive Bell, você precisa descansar...”
Na nuca do morto três pontos tatuados, um revólver vermelho ao lado e notas de dólares manchadas de tinta roxa:
“- Não há testemunhas.”
A detetive Erin Bell aceita o pedido dos colegas para se retirar e sai murmurando para si mesma:
“- Se eles soubessem que eu sei quem foi o assassino...”
Quando começam os flashbacks entendemos que ela, 20 anos atrás, infiltrou-se numa gangue metida com drogas com um outro policial, sua dupla Cris (Sebastian Stan). Os elementos do grupo eram chefiados por um cara mau e sádico, chamado Silas (Toby Kebbel).
E houve um assalto a banco mal sucedido.
Entendemos também que ela luta para salvar sua filha Shelby (Jade Petitjohn) de uma vida de drogas e de uma relação com um homem bem mais velho e mau caráter.
Nicole Kidman, uma das melhores atrizes de sua geração, mostra em “O Peso do Passado – Destroyer” o quanto é talentosa. Faz a mulher desesperançada e autodestrutiva, revoltada contra tudo e todos, com um toque ainda do poder de sedução perdido e uma beleza da qual sobraram os restos.
Uma vida em frangalhos. Mas com uma ideia fixa e obsessiva na cabeça. Ela é movida a vingança.
A própria Nicole Kidman faz a Erin Bell na juventude e está bela e sexy nas imagens da jovem policial infiltrada na gangue, que atrai os olhares masculinos.
Se a maquiagem ajudou ou é o talento que faz essa magia de poder tanto ser uma mocinha quanto uma mulher gasta pela vida, aposto no talento dela. Não há maquiagem que faça os olhos brilharem num momento e no outro parecerem sem brilho, vazios, mortos.
O filme vale pela atuação dessa estrela que brilha sempre.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Amor a Toda Prova




“Amor a Toda Prova” - “Crazy Stupid Love”, Estados Unidos, 2011- NETFLIX
Direção: Glenn Ficarra e John Requa

Ah! O amor. Que seja infinito enquanto dure, já disse o poeta.
Mas Emily encontrou um péssimo momento para pedir o divórcio. Foi na mesa do restaurante, na hora da sobremesa, que tudo explodiu dentro dela.
Na volta, dirigindo, soltou a última bomba. Contou que transou com o cara do escritório. Assustadíssima, ela vê o marido se lançar para fora do carro em movimento. Mas Cal não machucou o corpo porque o coração já estava  estraçalhado.
Ele passa a frequentar bares para beber toda a sua infelicidade de homem separado que odeia e ama a mulher que ele escolheu para a vida toda. E vai parar naquele bar em que Jacob, bonitão de fala mansa, escolhe aquela que ele quer e não escapa nenhuma. Todas acabam a noite com ele.
Menos certa noite na qual ele, todo confiante, leva o fora de uma linda quase advogada. Perde o rumo? Quase. Mas vai se consolar com as outras.
E Cal vai ter a péssima ideia de concordar em tornar-se aluno de Jacob na arte da sedução, já que ele faz sempre tudo errado.
Primeiro ele precisa aprender a se vestir com classe, mostra Jacob, que escolhe um novo guarda roupa para Cal. Depois é hora de acompanhar Jacob em suas noites no bar para aprender o que não deve dizer. Só então ele tem a permissão de paquerar uma garota e sair com ela.
E por aí vai essa comédia bem escrita por Dan Fogelman e com um elenco de primeira: Ryan Gosling, Steve Carell, Julianne Moore, Emma Stone, Marisa Tomei e Kevin Bacon.
Sem esquecer da dupla adolescente, Robbie (Jonah Bobo) de 13 anos que é apaixonado por Jessica (Analeigh Tipton) de 17, que vive um amor atrapalhado.
E o tema do amor e seus encontros e desencontros é sempre uma delícia de ver.
Ainda, quase todo mundo tem a fantasia romântica de querer se apaixonar de novo depois de um casamento longo. Mas uma coisa é sonhar. Outra muito diferente é viver isso na vida real.
O filme tem um “timing” perfeito, o que é importante nas histórias com muitos personagens e os atores não deixam ninguém se entediar.
“Amor a Toda Prova” não é mais uma comédia romântica bobinha. Os homens também vão rir e quem sabe não vão se identificar com algo dos personagens masculinos que são as estrelas principais do filme?


domingo, 3 de fevereiro de 2019

O Menino que Queria Ser Rei




“O Menino que Queria Ser Rei”- “The Kid Who Would Be King”, Estados Unidos, 2019
Direção: Joe Cornish

Tem ação e lição. Tem herói e vilão. Mas tem muito mais do que os filmes para adolescentes que vemos por aí. Porque ensina que, se o mundo foi levado a uma situação quase apocalíptica, cabe às novas gerações mudar esse cenário.
O herói é um garoto de 12 anos que está em crise. Alex (Louis Ashborne Serkis) vive a adolescência perdido porque o pai não está com ele. Aquele que ele pensava ser quem lhe abriria as portas do mundo.
Sem falar que tudo está cada vez mais difícil e perigoso. As manchetes dos jornais espelham um mundo trágico de guerras e fome, para o qual Alex não está preparado.
A mãe dele se esforça para estar lá, atenta ao que ele precisa. Mas o menino não lhe dá muito crédito e talvez, pensa lá no fundo, foi por causa dela que ele se mandou.
Seu pai herói.
Até o dia em que entra num edifício em demolição com o amigo Bedders (Dean Chaumoo), descendente de indianos. Esse é o companheiro que Alex tenta proteger do bullying que sofre na escola. Ele tem um bom coração.
E eis que os dois se deparam com uma surpresa.
Lá está ela. No meio das colunas de concreto semi destruídas, ela brilha. Será mesmo? Alex se pergunta. Não. Só pode ser coincidência. Porque ele tem um livro que adora, com a dedicatória do pai e que conta uma história antiga. Sobre o Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. E é com a espada mágica, Excalibur, que o rei Arthur luta para proteger seu reino.
Alex hesita mas Bedders o anima. Aproxima-se da espada e tenta tirá-la da rocha onde está firmemente enfiada. E eis que ela vem às suas mãos com facilidade.
Excalibur?
Ela mesma, explica o novo aluno da escola, que se diz chamar Mertin mas é o mago Merlim (Angus Imrie) que assume a forma de um falcão quando quer se safar de algo. Ele faz parte da história do rei Arthur. E quer ajudar Alex e seus cavaleiros a salvar a Inglaterra e o mundo da escravidão.
E quem está por trás desse plano maligno? Morgana (Rebecca Ferguson), meia irmã do Rei Arthur, aquela que cobiça a espada e o reino. Lá do fundo do mundo, ela está se livrando das raízes que há muito a prendiam e já sente forças novas para realizar um plano macabro. Seu exército de demônios fará o trabalho que ela mandar. Com o mundo cada vez mais corrompido e fraco, Morgana aparece como uma líder mundial despótica, aproveitando a brecha para tomar o poder e escravizar primeiro os ingleses e depois o mundo.
Mas do lado de Alex tem gente boa e corajosa, seus cavaleiros. Lance e Kaye (Tom Taylor e Rhianna Dorris), são antigos inimigos transformados em amigos por causa de Alex que soube convencê-los da missão de salvação do mundo.
E graças a essa liderança, Alex traz para o seu exército outros meninos e meninas que mudaram seus valores e aprenderam o código dos Cavaleiros da Távola Redonda que ensina a amar os que estão próximos, lealdade e persistência na busca de seus objetivos.
As armas aqui não são canhões nem bombas.
O exército de Alex veste armaduras de seus ancestrais e espadas para lutar contra Morgana. Essas vestes são inspiração para lembrar que aquele país foi forjado por bravos.
E Merlim fecha o filme com chave de ouro fazendo lembrar que dentro de cada criança habita uma velha e sábia alma. É preciso ouvir seus conselhos.
“Tudo que vocês precisam para mudar o mundo está dentro de vocês.”
“O Menino que Queria ser Rei” é um filme divertido que também ensina que a geração de adolescentes de hoje em dia será a liderança de amanhã.